CLXV
Textos sobre Metafísica
Encontro com Mefistófeles

Há casos realmente que para o vulgo parecem impossíveis e fantásticos mas que são a mais pura realidade que podemos vivenciar e experimentar.

Hoje é dia 15, o quinze como já dissemos representam as Paixões, e claro a luta pelo domínio das paixões.
No quinze encontramos aquele mistério que se refere a transformação das coisas vís nas coisas mais puras, tal qual é o mistério da Alquimia.
"Eu creio no mistério do Bafometo e do Demiurgo" - Ritual Gnóstico

Hoje pudemos experimentar mais uma vez um reencontro cara a cara com nosso Mefistófeles pessoal, nosso Cérbero, nosso Prometeu já não mais acorrentado a sua dura rocha a qual fora uma vez submetido.


Temos uma particularidade que é que recordamos os processos internos das provas iniciáticas. Então podemos recordar desde aquele primeiro enfrentamento do Guardião do Umbral, e claro aquela forma tão terrível e tão animal a qual se apresentava.
Não nego, não posso negar, que naquela época não tínhamos a devida preparação para a prova, a ante a presença do Guardião do Umbral, fugimos espavoridos.

Claro que alguns dias depois os Mestres nos submeteram novamente a mesma prova, mas desta vez já estávamos bem preparados.
Em nossa psique podíamos ver aquelas criaturas correndo sem rumo e gritando "Ele está vindo, ele está vindo!", e se trancando em suas casas.
Logo aquela tempestade elétrica, uma tempestade de areia, aquele terrível furacão e a presença daquilo que mais parecia-se com um gorila do que com qualquer outra criatura que pudéssemos nominar para dar uma noção de sua forma. Desta vez claro o vencemos, nossa ultima recordação desta luta antes do diálogo com um Mestre, foi de estarmos com a fera dominada e sentados sobre seu peito, estando esta totalmente imobilizada e sem reação.


Por muitas vezes vimos esta criatura em diferentes regiões, pois não existe apenas um Guardião do Umbral, existem três (Astral, Mental e Causal).

Algumas vezes este impulso sexual desviado, esta Paixão corrompida dentro de nós, nos colocou provas, nos orientou também quando já mais purificado.
Mas sempre foi uma presença a qual nos causava algum temor, visto que era de uma beleza maligna sempre, todas as vezes.

Recordo neste momento uma vez que estávamos nos mundos internos e fomos submetidos a uma prova e não passamos na prova. No exato momento que findou a prova esotérica se cristalizou naquela região o Guardião do Umbral, em uma forma terrível, e nos disse claramente: "Me manchaste novamente, não somos mais amigos".

Claro, todo este trabalho que viemos realizando desde aquela época que fomos iniciados no caminho secreto, foi cumprir com aquela máxima alquimista: "Queima teus livros e branqueia o latão".
É óbvio que tão célebre frase nos indica deixar as teorias de lado e buscar a virtude, a verdade, extrair do lodo de nossa psique, de nosso mundo interior, todas as pedras preciosas que jazem ali ocultas.

Enfim não poderíamos numerar tantos encontros quanto tivemos, apesar de poucas vezes tenhamos nós por nossa iniciativa invocado esta criatura para um diálogo ou para ver nosso progresso, já que é sempre este que representa nosso estado íntimo, pois carrega toda nossa feiúra.

Esta noite fomos submetidos a uma destas provas, passamos por um destes processos ligados ao Arcano XV, fomos testados no que diz respeito as Paixões Naturais, Paixões Humanas e também Espirituais.
Confesso que não sei bem o que estava sendo avaliado, porque algumas vezes passamos a prova mas temos que repetir porque não passamos com a perfeição que necessita nosso Ser, pelo processo que ele esteja vivendo... mas entendemos que passamos conforme o que era esperado.


Terminada a prova, deixamos para trás algumas pessoas que nos acompanhavam e andamos um pouco mais a frente, até uma parada solitária aonde dois caminhos se cruzavam.
Ali naquela região dos mundos superiores, invocamos a esta criatura, por seu nome peculiar. Sem delongas, sem invocações complexas... apenas chamamos com muita força por três vezes seu nome, em um tom severo.
Ainda fizemos um grande esforço para poder retirar de nosso interior aquela criatura e poder cristalizá-la para que pudéssemos vê-la como algo distinto a nossa pessoa, pois queríamos lhe fazer certo questionamento.

Após este esforço, dando como um passo a trás, projetamos naquele mundo tal criatura, nosso Mefistófeles particular, nosso salvador, que primeiramente tivemos que salvar.
Sua forma era de uma dama, assustada e apavorada por nossa audácia e por nosso controle frente a suas provações internas.
Tentou ainda fugir de nossa presença ocultando-se sob a sombra de alguma construção e lá encolhida ficou.

Nos aproximamos e sem nada dizermos, nosso impulso sexual, nosso Terceiro Logos particular, interior, já foi revelando profecias e informações valiosas do que estava por vir.
É Difícil imaginar na prática o resultado das palavras que foram dita por tão sábia criatura. Após alguns relatos ele ainda assinalou: "o pior ainda está por vir", e assim sabemos que é.


Os Magos Negros, servem e submetem-se a este Mefistófeles. Os Magos Brancos servem-se e utilizam-se sabiamente deste principio divino depositado no fundo do homem. Este é o Moisés individual de cada homem, a fração do Cristo que baixa para nos resgatar e que acaba presa junto com o homem em suas debilidades.
Negar o poder de Mefistófeles, é negar o próprio Terceiro Logos e da Misericórdia do Cristo.
O Problema nisto tudo é que não podemos confiar em nossos instintos divinos quando submetidos as paixões animais.
Necessitamos primeiro fazer o resgate deste, que posteriormente transforma-se em nosso salvador.

Eu que transformo e uno todas as coisas. Eu que faço do pequeno, uma imagem do grande. Da profundidade o espelho do céu. Eu que mesclo o céu e o inferno sobre a terra. Que elaboro todas as coisas no profundo oceano, fiz renascer tua Estrela do abismo na forma de uma flor, para que possas escolhê-la e aspirar fascinado seu delicioso perfume.” - Trecho do Ritual Gnóstico de Eleusis - Class C - Fala de Eros

 

"O Jovem imóvel prosseguiu dizendo: '- Quero manter minha palavra e o fartarei ainda que para isto tenha que dar-lhe várias medidas de aveia.'
Fausto respondeu que era inútil, que seu cavalo já havia comido o bastante, porém que ele tragaria toda a aveia da terra sem sentir-se farto.
Inquestionavelmente, aquele brioso corcel era, fora de toda dúvida, o mesmo Lúcifer Náhuatl, o extraordinário Mefistófeles metamorfoseado na besta alada.
Mefistófeles-Xolotl-Lúcifer, convertido às vezes por obra da magia em cavalo voador, tal qual Pegasus dos poetas coroados, transportava a Fausto rapidamente por entre a quarta dimensão quando era necessário.
...
Foi em Coatepec, que está em Tula, o lugar histórico aonde os sessenta anciões feiticeiros do muito poderoso Senhor Montezuma, mediante o auxílio extraordinário de Mefistófeles Faustino, puderam atravessar instantaneamente a barreira da velocidade da luz para viajar pela quarta vertical até a Ilha sagrada e eterna, além dos mares do Pólo Norte, origem real da humanidade terrestre.
...
Integrando esforços, em suprema concentração mental, com meditação profunda, assumiam deliberadamente e mediante a imaginação criadora, a felina figura do Jaguar-Xolotl-Mefistófeles.
Andar, desenvolver-se, funcionar com esta figura que espanta, em pleno êxtase e gozo místico, em modo algum resultava impossível para estes heróicos Senhores da terra sagrada de Anahuac.
" - A Doutrina Secreta de Anahuac, Samael Aun Weor

Paz Inverencial!

15/05/13