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Textos sobre Psicologia
Ponto sem Retorno

Ponto sem Retorno (PSR, ou PNR em inglês), significa o ponto crítico aonde em qualquer situação, não há mais volta.
Antigamente principalmente, nas estradas víamos isto, de trechos extremamente longos sem postos de combustível, o que fazia com que as viagens tinham de ser cuidadosamente calculadas para saber aonde abastecer para não ficar no meio do caminho.
Isto fazia com que haviam momentos aonde caso houvesse algum problema, a partir daquele ponto da viagem, não haveria como retornar ao último posto, senão que deveria-se seguir em frente, indiferente do acontecimento.
No caso do PSR nos transportes, é quando em geral se passou do combustível necessário para dar meia-volta. Isto serve por exemplo para o caso de você ter esquecido algo em casa, algo que valesse a pena o retorno, ou em caso de de algum problema, simplesmente de onde está, dar meia-volta e retornar ao ponto de partida.
O Ponto sem Retorno indica o ponto do qual você acaba tendo de ir irremediavelmente até o destino para poder retornar, algo que claro nos transportes rodoviários já não é sequer conhecido mais pelas pessoas em geral, visto que é muito comum haver postos a cada dúzia de quilômetros nas rodovias.
Mas isto ainda ocorre nas rotas marítimas, ou mesmo nas vias aéreas, ou espaciais, aonde o reabastecimento sempre é mais delicado e em geral se tem apenas a autonomia do que se carrega consigo ou pode obter ao longo do caminho por meios alternativos.

Trazendo isto para nossa realidade interior, para o nosso dia a dia, há muitos momentos aonde nos encontramos em situações aonde nos deparamos com exatamente este momento crucial que gera um Ponto sem Retorno.
Isto deste Ponto sem Retorno, encontramos seja na integração com a Luz, seja no descenso às Trevas.
Muitos delitos quando formando-se no interior do indivíduo, ou mesmo tentando manifestar-se, passam por momentos críticos aonde se conseguem realizar certas ações, inevitavelmente irão manifestar-se e atuar livremente.

Em geral, qualquer pessoa que auto-observe-se seriamente, irá encontrar uma série de percepções egóicas, aos quais ao sucessivamente ocorrerem, geram um processo que é muito difícil retornar, para não dizer realmente sem retorno, no sentido desta ação específica.


Por isto que insistimos que no trabalho psicológico, não há como ou porque modificar um defeito, ocultar, e assim por diante. Isto porque todo valor negativo em nosso interior, conforme atue nos centros do organismo humano, irá gerar pensamentos, sentimentos, instintos, os quais levam o indivíduo até um ponto exato o qual nem mesmo a Consciência consegue já impor-se, pois praticamente já está cristalizado o delito, exatamente pela liberdade que deu-se a esta expressão dentro de nós.

Simplesmente diminuir a atuação de um defeito, é somente criar o devido potencial para uma futura ampliação do mesmo. A Própria ocultação de um defeito, intencional ou não intencionalmente, gera diversos transtornos psicológicos e potencializa ao fim a manifestação ainda mais plena do mesmo.
Modificar um defeito é como popularmente dizemos, trocar seis por meia dúzia, porque este continuará existindo e sempre gerará impulsos os quais ainda que sob outra forma, conduzirão ao fim, à dor, a angústia e estes infinitos sofrimentos os quais com o tempo sempre chegam a todos.

A Obstinação, é o que na psicologia podemos chamar do Ponto sem Retorno, na manifestação do Eu. É quando houve esta perfeita fusão entre uma ideia, um sentimento e um instinto, o qual inevitavelmente gerará uma ação obstinada a qual já a Consciência já não é mais ouvida ou percebida. É este o ponto quando este já manifesto instinto subversivo torna-se ativo por si só, e já intocável para a razão ou a consciência.
Claro que se esta força cresceu no interior do indivíduo nestas proporções, é porque não estava auto-observando-se realmente, ou mesmo porque identificou-se com estas percepções negativas, o que no fim resulta em ações inevitavelmente nefastas.

Na própria vida, digo no dia a dia, há muitos momentos aonde nos vemos em situações, como já dissemos, aonde todas as nossas percepções nos dizem que são um ponto sem retorno. Imaginem que saíram de casa sem o guarda-chuva, e em certa etapa do caminho começa a chover, se você está apenas indo a um lugar específico e então retornando para casa, o certo é que passando da metade da jornada, não pense em voltar, não é verdade?
Claro que isto dentro de nós mesmos é distinto, mas que no dia a dia, se expressa de igual maneira, já que basta ver a vida de qualquer indivíduo, de nós mesmos, que uma vez que investimos metade da vida em uma profissão, ou em certos assuntos, em geral não estamos dispostos a recomeçar, a nos reinventar, pois tomamos como definitivas nossas escolhas. Ou seja, na vida acabamos nos tornando Obstinados, com certas realizações, com certos assuntos, com certas vivências, com certos envolvimentos, e como vemos é muito difícil, muito improvável, que alguém tenha suficiente Consciência e força de Vontade, para realmente reinventar-se, desfazer toda uma jornada equivocada e então tomar o correto, o justo, o adequado.
Neste processo interno ocorre o mesmo, algumas coisas se cristalizam internamente por tanto tempo, com tanta força, que realmente requer do indivíduo muitos super-esforços para modificar estas naturezas e realmente eliminá-las, já que qualquer outro esforço seria inútil.

Este é o motivo pelo qual nos é dito que muitas coisas, ao indivíduo, à pessoa em si, é impossível realizar, e realmente dependemos de uma força superior e de natureza maior que a nossa, para poder realizar. É aonde entra este trabalho de integração com nossas partes internas, com nosso Ser, com a força do Terceiro Logos dentro de nós, e esta guiatura a qual sim tem como realizar os prodígios de nos conduzir mesmo mais além destes pontos sem retorno, negativos.


É óbvio que existem realmente, e definitivamente Pontos Sem Retorno, como certos delitos os quais infelizmente já nem mesmo o arrependimento, nem mesmo uma interferência interna é capaz de resolver.
Mesmo para a Luz, há processos na Iniciação, na integração com Deus, aonde o indivíduo uma vez passando estes processos, já não tem como retornar a ser o que era, e se não faz parte integrante da Divindade, torna-se inevitavelmente sua contraparte. Ou seja, se não serve de apoio, sustentação e desdobramento da Divindade, serve obviamente de adversário. Há forças, que uma vez despertas, uma vez liberas em nosso interior, irão nos conduzir à um destes extremos, seja à Luz, seja às Trevas.

06/09/16