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Textos sobre Psicologia
Solidão e Convivência

Há sempre uma dualidade e uma dinâmica crescente no trabalho espiritual que consiste em duas etapas, uma de preparação e outra de ação.
Assim que há um momento aonde se exige disciplina, ou a consciência, e em outro aonde se dispõe liberdade mas também depende de vontade para ser vivenciado adequadamente.

Assim como uma pessoa não tem como realmente dar o que não tem, ou ensinar o que não sabe, tudo exige algum tipo de preparação e de sequência para que ocorra adequadamente.

Na Obra Espiritual, há momentos nesta integração com Deus, aonde necessitamos vivenciar, realmente viver, em certa Solidão, e em outros momentos aonde inevitavelmente precisamos de Convivência. Em algumas oportunidades encontramos Deus na Convivência, para poder vivenciar a Solidão, e em outros encontramos a Integração Espiritual na Solidão, para podermos vivenciar a convivência.

Há muitas provas e muitos processos os quais acabamos vivenciando na solidão, assim igualmente ocorre na convivência.

Vejam que há manifestações, seja da Consciência, seja de nossas debilidades, que unicamente se manifestam quando estamos sós, também há manifestações, seja do Íntimo, seja de nosso Discernimento Espiritual, que somente ocorrem durante a Convivência com os demais.
Assim viver em solidão, ou viver sempre cercado de pessoas, acaba nos limitando a apenas realizar uma pequena parte do que nos cabe.


Em outras épocas, isto antes do atual Sistema de Autorrealização que hoje temos, era possível a uma pessoa, de maneira solitária realizar a Obra, sem maiores contatos ou envolvimentos com outros.
Isto em parte porque havia uma ligação maior com nossas partes internas e o Homem era um desdobramento Direto de seu princípio Divino, o que inevitavelmente permitia uma guiatura praticamente direta por estas percepções que tem o indivíduo.
Claro que também, esta guiatura externa quando necessária era muito mais fácil, porque a Consciência sem as amarras que hoje temos, recebia com alegria e com compreensão tudo que lhe era entregue, fosse física, fosse internamente.

Muitas das percepções e decisões mais importantes que tomamos no caminho, acabam ocorrendo em momentos de solidão, exatamente porque é necessário um certo apartamento do contexto cotidiano para que possamos, como ocorre na solidão da noite, observar as Estrelas e ver seu cintilar; O que no nosso caso, é esta integração maior com estas frações internas.
Na convivência é aonde em geral vemos o resultado, e é aonde se cristaliza tudo aquilo que acabamos cultivando ao longo dos períodos de solidão. Também é aonde somos provados em nossas decisões e nossa compreensão, nossa vontade.

Vejam que muitas das ações negativas que se comete na atual humanidade, ocorre porque um justifica suas ações, na ação do outro. Isto é, um faz, porque o outro também faz.
Assim que a convivência acaba sendo sempre uma provação muito forte para nossas Virtudes, já que uma pessoa só pode realmente comprometer-se a algo, mas quando cercada de ideias e ideais distintos, acaba sendo fortemente influenciada por estes.

O Inverso também ocorre, e muito comum nos é, buscar força nos demais, para vencer as debilidades as quais em nós, quando sós, acabam sendo demasiado desenvolvidas e manifestas em nosso interior.
Muitas manifestações negativas também ocorrem na solidão e no silêncio, e acaba a convivência com pessoas de boa índole, sendo por vezes o estímulo necessário para encerrar certas disputas internas.

Isto dizemos não com o objetivo de fazer com que o indivíduo crie novos problemas a si mesmo, quem sabe mecanizando o tempo que fique só, ou com outras pessoas, senão que saiba vivenciar plenamente cada momento, seja de solidão, seja de companhia dos demais, e dar o que lhe corresponde dar, receber o que lhe corresponde receber, em cada um destes momentos.

A Solidão, em geral é algo que está voltada para dentro, já que acabamos limitando os estímulos externos, e a convivência é algo que obviamente está voltada para fora, já que cria interações de diversos tipos com os demais.
No entanto, é durante a convivência, que a integração espiritual se faz mais plena, já que é pela necessidade que as partes internas se fazem mais manifestas.
Assim há claramente uma simbiose, uma integração muito forte destas duas características as quais dia após dia vivenciamos em maior ou menor grau.

Obviamente temos de fazer o que nos cabe fazer, e com consciência, mas temos de aproveitar para que possamos encontrar na solidão, ou na convivência, a sabedoria e a força necessárias para quando no oposto, poder projetar esta luz sob as trevas que nos acercam nestes momentos.

 

12/09/16