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Textos sobre Psicologia
O Medo

No Gnosticismo algo que não pode ser cultivado ou alimentado, é certamente o medo.
A Obra nada tem a ver com o medo do fracasso ou o medo a qualquer infeliz destino que a não realização da mesma possa causar.

Não podemos trilhar este caminho por medo, pois o impulso real que nos é capaz de guiar nada tem de ver com este elemento contrário a consciência.
Muitas pessoas nos dias atuais se apegam ao gnosticismo principalmente a parte intelectual do mesmo (o conhecimento teórico), pois sentem-se protegidas pela proximidade com a informação que entregaram os Mestres, e sentem-se como detentoras daquele conhecimento, muitos até orgulham-se disto, sendo que não só desconhecem como ignoram que desconhecem o Gnosticismo.

O Medo é uma ferramenta de dominação, isto são amarras que nos tem posto a família, a sociedade, os sistemas e até muitas instituições religiosas.
Um Pai (biológico) força a seu filho a fazer o que considera certo, por diversas vezes lhe advertindo que se não fizer algo, será castigado ou acontecerão coisas desagradáveis e então sem compreender o real porque, cumpre com os caprichos de seu progenitor por medo.
Assim muitos deixaram-se de guiar pela consciência, já muito novos, mudando suas escolhas inclusive de trabalho já que deixam aquilo que realmente sentem que é seu destino, por outras mais rentáveis ou mais adequadas em relação a conceitos alheios, por medo.

Então o Medo é praticamente um regente que tal qual um Menestrel encanta as multidões e guia o rumo desta humanidade degenerada e inconsciente.

Na Escola ocorre o mesmo, forçam as crianças e os adolescentes a aprender tantas coisas inúteis, por medo que um dia lhes façam falta, estes aprendem por medos... medo de ser reprovado, medo de não ter um futuro na sociedade, medo da punição dos pais, medo de ser inferiorizado pelos colegas, medo.. medo, medo.

Sinceramente nos preocupa a forma como agem as pessoas, porque a tudo temem e reagem por base em seus medos e conceitos equivocados.
Por medo muitos deixam de estudar a própria base do Gnosticismo que são estes mistérios que a maioria não se atreve a penetrar ou estudar.

"Inquestionavelmente, Gnosis é o conhecimento iluminado dos Mistérios divinos reservados a uma elite. A palavra 'Gnosticismo' encerra dentro de sua estrutura gramatical a idéia de sistemas ou correntes dedicadas ao estudo da Gnosis. Este conhecimento implica uma série coerente, clara, precisa, de elementos fundamentais verificados mediante a experiência mística direta: A Maldição, desde o ponto de vista científico e filosófico. O Adão e Eva do Gênesis hebraico. O Pecado Original e a saída do Paraíso. O Mistério do Lúcifer Náhuatl. A Morte do Mim mesmo. O Cristo Íntimo. A Serpente ígnea de nossos mágicos poderes. O descenso aos infernos. O regresso ao Éden. O Dom de Mefistófeles." - A Doutrina Secreta de Anahuac, Samael Aun Weor

Então a qualquer entendido vemos que simples palavras, como "Lúcifer" ou "Mefistófeles" lhes causa medo e comprovamos que temem os próprios Mistérios (ainda que como informação intelectual, já que é alheio, não conheceram em fatos) que estão inseridos no que são a base de todo gnosticismo e de todas as grandes religiões.
Não podemos ter medo para que possamos conhecer a verdade.
Jamais se tornará clarividente, quem tenha medo, porque o que verá não será sempre belo ou justo, há que ver sem julgar e há que observar muitas vezes elementos que ainda não compreendemos; e se temos medo, poderíamos nos deixar prejudicar.

Clarividência, mesmo que interna como a que fazemos uso em uma meditação, se necessita estar livre de medo, porque precisamos perceber a realidade daquilo que nos propomos a estudar. Se nos concentramos em nosso redor, pode que vejamos Mestres Brancos ou Negros, protegendo ou atacando, mas a clarividência consiste em perceber por meio da atenção da imaginação, a verdade, e não criar fantasias delirantes sobre o que consideramos que gostaríamos que estivesse acontecendo.

Imaginar é ver, e imaginar algo conscientemente é interferir e atuar por meio da Luz Astral na cristalização de algo que seja necessário realizar. Então percebemos que o Medo é um lacre absoluto para qualquer capacidade interna, a mais simples que seja, pois interfere na expressão de nossa consciência e na aquisição e percepção das realidades que nos propomos a investigar.

Não confundamos medo, com temor ou respeito. Todo homem deve, por temor a seu Deus, respeitar seus desígnios, isto é uma virtude certamente. Porque os próprios mandamentos nos orientam e nos assinalam "Deus Primeiro" e aquele que não tenha respeito e reverência a isto, certamente é um fracassado, pois sentiu-se maior do que é.

Então claro que há limites conscientes e entendimentos que temos que ter do que é o delito do medo e a virtude do temor.
O Mesmo vemos com a Ira e a Severidade. Uma pessoa pode ser irada e por meio do ódio, do rancor ou de qualquer outro elemento da ira, causar dano com palavras e ações. No entanto por consciência podemos fazer uso da severidade, e intervir com a força da persuasão para que se faça o que é justo em determinado momento.

Vejamos o exemplo dos Elementais. Eles temem ao Homem, porque reconhecem por consciência o Homem como Rei da natureza, no entanto não o obedecem se o mesmo não impõe seu mando por meio da Severidade, muitas vezes.

Então que o Medo é algo que vale a pena estudar, conhecer e eliminar, sem claro deixar de lado este sentido de respeito e de amor para com nossa Divindade (dentre outras forças), pois cairíamos na Soberba e em um outro extremo relacionado a auto-importância, dentre outros delitos.

Vemos o como é terrível o medo. Quantas pessoas temem auto-observar-se, temem a morte física e temem mais ainda a morte do ego (morte mística). Temem o que os outros pensam, temem e sentem medo a cada segundo.
Tem medo de ficarem sós e acreditam que aquele a seu lado é um amigo, temem a solidão e igualmente acreditam que sentem amor por seu esposo ou esposa.

O Amor, a Amizade, o respeito, enfim todas estas e muitas outras virtudes, só podem realmente florescer na ausência do Ego, na ausência de todos estes delitos que carregamos dentro, e um deles é o medo.

Não é por acaso que nos dias atuais o V.M. Lakhsmi chegou a citar o Medo como uma Oitava cabeça de legião (se existisse), exatamente pelo tamanho de influência e de ligação que tem na vida da atual humanidade.

Não podemos fazer a Obra por medo de ir ao abismo, por medo da segunda morte, ou por medo da própria morte.
Lamentamos dizer, mas não são coisas compatíveis. Um caminha porque sente anelo e o impulso do Ser para fazer o que ele lhe impulsiona, para fazer o que sua consciência determine.

Espero que entendam, mas muitas vezes o que pede o Ser de uma pessoa é algo, e o que lhe determinam as demais pessoas é outra coisa. Como uma pessoa poderia fazer a Obra só? Sem estar de acordo e cumprindo com as exigências de seu Ser de sua Mônada, de seu Glórian.
Percebam que não é possível cumprir com as exigências do caminho enquanto tivermos medo de conhecer os caminhos que nosso Ser e nossa Consciência nos reservam, e da mesma forma não teríamos forças para cumprir com isto, se carregássemos em nós este fardo que se chama Medo.

No entanto podemos afirmar que só poderá verdadeiramente eliminar este Medo aquele que esteja em posse e conectado com a consciência livre que tenha, porque de outra forma esta ausência de Medo seria uma liberdade para que demais delitos que carregamos dentro pudessem realizar suas vontades sem esta amarra.

22/10/12