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CLXV
Textos sobre Psicologia
Interrompendo o Movimento

Falávamos anteriormente em romper a inércia, em quanta força e esforço é necessário para iniciar algo, e tantas outras coisas referentes a isto.
Como tudo é naturalmente dual, o oposto disto que anteriormente tratávamos é certamente interromper o movimento.

Toda força posta em movimento tem uma força própria e natural que lhe impele a seguir o rumo o qual tomou originalmente. E isto significa que mudar a direção ou mesmo interromper este movimento, requer esforço, recursos, severas mudanças.

Muitas coisas continuam existindo simplesmente porque existiam, e quando cessou sua força, seu propósito, continuaram existindo por um simples reflexo de continuidade.

Temos de entender que toda força que põe-se em movimento cria um sistema complexo de engrenagens que ao mesmo tempo são movidas pela força primária do movimento mas ao mesmo tempo dão força e impelem este primeiro a continuar movendo-se.


Muitas coisas que fazemos, fazemos porque fazíamos, e continuamos fazendo porque a vida requer que façamos, porque a sociedade espera que façamos, porque estamos acostumados a fazer, e tantas justificativas.
É certo que parar qualquer movimento, cessar qualquer atitude requer esforço, compreensão, consciência.

Este é o motivo que ao iniciarmos qualquer movimento, qualquer ação, temos de fazer de forma natural, espontânea, dando a estes sua devida força, não em excesso, não igualmente de maneira escassa, pois se é pouco tende a inércia, se é muito pode iniciar algo que não conseguimos acompanhar, suportar, sustentar.

Isto falamos da maneira que falamos, porque abrange todas as coisas, tanto dentro de nós como fora de nós. No que seja humano, no que seja divino. Seja no caminho espiritual, seja em nossa vida, passamos por estes processos de Movimento e de Inércia.

Uma força que colocamos em movimento em nossas vidas, por vezes torna-se algo praticamente indestrutível, isto porque como falamos, o movimento tende ao movimento e a inércia tende a inércia ainda que seja atraída pelo oposto.


A Vida ela está sempre em movimento, e o movimento que falamos é exatamente mudança, intercâmbio, e por isto que ainda que as forças tenham a tendência por si mesmas de seguir em sua atividade... inércia em inércia, movimento em movimento... elas também são impelidas a seu outro extremo, por conta de uma natureza externa. Ainda que por vezes pareça uma decisão interna, a forma como procede o fato.

Toda esta alternância entre movimento e repouso, entre dia e noite, entre calor e frio, faz com que constantemente sejam testadas a estabilidade, a compreensão, a vontade dos elementos. Isto significa que muitas impurezas que permanecem agregadas são diluídas conforme há esta alternância entre estados. Este é o motivo de que se nos exige constantemente esta alternância constante na vida, no espírito.

Este é o motivo pelo qual unicamente as coisas perfeitas são eternas, e também motivo pelo qual vemos tão poucas coisas eternas. O Resto necessita constantemente ser Dissolvido e Coagulado, até que atinja tal estado ou seja declarado incapaz e por este motivo, destruído.

A Vida, a Morte, são igualmente Movimento, Repouso, e ocorrem da mesma maneira e com o mesmo propósito que aqui relatamos.
O Que vive não quer morrer, o que morre não quer nascer, ainda assim naturalmente são impelidos a seu oposto por um movimento de tipo superior que os conduz a tais estados, quando propício.

Quando nós transcendemos nossa natureza humana e podemos ver a vida com os olhos do espírito, compreendemos o nosso tempo, compreendemos o tempo dos demais, e aprendemos não só apenas a respeitar os processos naturais de construção e destruição, mas os aproveitamos de maneira consciente.

Todos estes distúrbios humanos que ocorrem, tanto na medicina, como na psicologia, como na política, ciência em geral, artes, e tantas áreas possíveis do saber humano, são o resultado de uma falta de compreensão das leis mais básicas da vida.

Se observamos a política, vemos que ela sempre tende a extremos, porque um vem como uma oposição ao outro. O Povo segue um ou outro extremo em determinado momento, exatamente porque um lado chegou a um extremo do delito, da falha, e não é possível mais seguir tal caminho. Assim constantemente alternam-se no poder forças contrárias, como um aprendizado tanto individual como coletivo.

A Medicina é o mesmo, todo este desprezo a vida que tivemos em épocas passadas, e repulsa a ciência e tecnologia, hoje é compensado com um esforço absurdo e igualmente estúpido, por exagerados e desnecessários procedimentos, igualmente um avanço sem controle e sem compreensão do uso tecnológico.


Por isto que é tão previsível o aborrecimento da humanidade á Tecnologia, e mesmo a repulsa ao comércio que se tornou a medicina nos dias atuais.
A Verdade é que vemos que a humanidade se alterna de um erro extremo ao outro, ainda que o que busque não esteja em nenhum destes extremos.

Cada indivíduo certamente tem de fazer sua parte, e ainda que o faça em silêncio, gerará o movimento necessário para colocar outras forças em movimento, como falávamos anteriormente. Também quando se pare com certas atitudes, com certos erros, estancará outras forças em movimento, gerando assim senão uma alternância, quiçá um equilíbrio dentro do que é justo, senão para toda a humanidade, para alguns justos que compreendam a Prova.

31/08/2018