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CLXV
Textos sobre Psicologia
O Prazer e a Dor

Como já afirmamos em outra oportunidade, nossos defeitos, nosso egoísmo, o dito Eu Psicológico, sustenta sua luta devido a uma ânsia pelo prazer o qual é escravo.

O Tirano sente prazer em mandar, o anarquista busca o prazer desta falsa liberdade, o luxurioso busca o prazer sexual, o orgulhoso busca situações que lhe estimulem o prazer que lhe caracteriza.
Cada pessoa claro tem em si elementos psicológicos mais fortes que outros, alguns defeitos os quais o caracterizam como pessoa, devido a que constantemente se manifestam por meio da pessoa.

A Pessoa, como bem sabemos é um emaranhado de diminutas pessoas, as quais sucessivamente uma após outra se manifestam por meio do indivíduo.
Esta constante manifestação de alguns defeitos específicos em busca de seus prazeres, indica também em parte, que este elemento é melhor relacionado que outros que não conseguem manifestar-se.
Dentro de nós existem governantes, existem elementos que governam certas regiões de nosso país psicológico.
Estes governantes são exatamente estes defeitos, estes elementos psicológicos melhor relacionados com os defeitos que o representam.
Afinal um governante é eleito por uma maioria. Assim quanto mais defeitos de luxúria tem uma pessoa, mais poder terão alguns destes personagens tenebrosos dentro de nós.

Muitos defeitos relacionam-se entre si, existem dentro de nós famílias, amigos, inimigos. Olhar-se a si mesmo, é como ver o mundo em que vivemos ou mesmo o espaço estrelado. Levamos tudo isto dentro de nós mesmos.

Há elementos que ao manifestarem-se alimentam hordas de outros defeitos, existe um sistema como uma família. Um defeito que atue pode alimentar uma família de falhas que levamos dentro, assim como o Pai que sai para trabalhar e volta com recursos, alimento, vestimenta e abrigo para seus familiares.

Isto temos de entender porque muitas pessoas acreditam-se santas, veem algumas falhas, percebem alguns defeitos atuando, mas não entendem a longa jornada que tem pela frente.
Se eliminamos um defeito grande, imagine quantos defeitos não tentarão "ganhar a vida" por meio da pessoa?
Afinal o maior sustenta o menor, e há muita coisa negativa em nós que acabamos não manifestando pela simples questão de que estão saciados por esta força que se manifesta e os alimenta.

Por isto que no trabalho psicológico precisamos desfazer estes nós, se atacamos a este Ser dentro de nós que sustenta outros, a verdade é que todos estes elementos relacionados ao primeiro vem em seu auxílio, como um exército que defende seu Rei. Mas elimine o Rei, seus generais, e terá um exército perdido e disperso no campo de batalha.

Antes que nossa psique possa tornar-se esta Jerusalém Celestial aonde habitarão estas centelhas divinas que levamos dentro, precisamos passar por esta completa purificação interior. Comentam os Mestres que a pessoa deve converter-se em um planeta-purgatório, e assim queimar por meio do fogo divino, todos estes elementos contrários ao Ser, dentro de nós.

Mas o ponto que queremos tocar é exatamente esta consequência desta busca pelo prazer, afinal é por meio da compreensão que conseguimos chegar até a eliminação de nossos defeitos.
Todo prazer chega a um extremo aonde torna-se dor.
Entendam que não queremos dizer que sentir prazer seja errado. Se respiramos profundamente e enchemos o nosso organismo de vida, de prana, é óbvio que sentimos esta vida avivando nosso sangue, nossa razão e nosso espírito, e isto por si só é um prazer.
O Próprio alimento, o sexo, o movimento, o instinto, tudo geram sensações agradáveis e desagradáveis as quais são sinais do que é benéfico ou maléfico a nossa natureza.

Há o justo e há o injusto. Caminhe um pouco e terá preparo físico, caminhe muito e arruinará o centro motor. Este muito que nos referimos é quando este prazer chega a um extremo em que se converte em dor.
Há isto do sexo, nos é lícito e necessário a prática sexual, afinal a reprodução humana depende do ato sexual, também nós devemos criar vida dentro de nós mesmos, veículos para locomover-nos em outras dimensões além do mundo físico e estas criações são o resultado do manejo da força sexual.

Agora abdique do sexo sem haver criado estes corpos solares, sem ter concluído a Obra e converterá este prazer em dor, continue praticando o sexo mais além de haver realizado a Obra e converterá este mesmo prazer em dor.

Da mesma forma vemos que há limites para tudo, pratique duas vezes em uma mesma noite o ato sexual e também converterá esta bênção, este prazer, em dor. Vá além do limite possível sem que haja a queda sexual e converterá este prazer em dor.

Há uma sensação de prazer gerada pela consciência, nos mostrando que algo é correto e necessário, mas há um outro prazer, uma paixão bestial que nos leva muito além dos limites permitidos pelas leis naturais e que convertem esta possibilidade em uma necessidade e esta indicação da consciência em uma obstinação do ego.

E quando as coisas chegam neste limite, o Prazer Divinal converte-se em uma Dor Diabólica que invade a pessoa.


No gnosticismo ensinamos e explicamos isto das dualidades, da lei do pêndulo. Existe um ponto central aonde as coisas estão equilibradas, mas mova o pêndulo para um lado, em direção a este prazer bestial que falávamos e inevitavelmente esta força resultante deste esforço nos enviará lamentavelmente, desgraçadamente, para sua irmã gêmea, a dor.

Assim vivem as pessoas, da alegria a tristeza, da graça a desgraça, pelo simples fato de não saberem observar e respeitar estes limites que indica a consciência.
Afinal é algo que vemos todos os dias, aquele que tem saúde e abusa dela, fica enfermo... é a matemática da vida.

Por isto que também dizemos "O Caminho do homem equilibrado", olhando isto deste ângulo. Porque é um equilíbrio que determina e impulsiona a consciência.


Temos de nos tornar muito sinceros com nós mesmos se queremos avançar neste caminho, realmente necessitamos desenvolver estes sentidos internos de clarividência e aprender a ver, a ouvir, a nos locomover conscientemente por nosso mundo interior e purificar-nos totalmente.
Necessitamos preparar este Templo para que chegue o oficiante.

05/06/14