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CLXV
Textos sobre Psicologia
A Velocidade do Tempo

O Tempo claro é uma medida de sucessivos momentos, os quais vez ou outra parece acelerar ou diminuir, de acordo com a circunstância.
Nas regiões submergidas o tempo corre mais lentamente, e nas regiões superiores, tudo é muito mais acelerado, muito mais rápido.

Ontem me recordava de um comentário que fez um irmão, já há bastante tempo atrás, aonde atribuía, de maneira semelhante a isto, a nossa percepção do tempo, em relação aos estados de consciência. Ou seja, ele dizia que o Tempo transcorria rápido quando integrados com a consciência e lentamente quando afastados dela.

Bem, em teoria, realmente poderíamos dizer que é assim... e na prática? Claro que uma coisa é estar em regiões celestes ou abismais, mas no mundo físico não é assim que terminamos por verificar.
O Grandioso da vida é que é um grande laboratório e podemos verificar por nós mesmos qualquer tema que seja de nosso anelo compreender totalmente.

No nosso dia a dia, há circunstâncias que parecem que nunca vão acabar, também há eventos que transcorrem tão rápido que mal vemos o tempo passar.
Um passeio, uma viagem, uma circunstância agradável qualquer, pode realmente parecer algo muito curto, muito rápido.
Já uma doença, uma situação difícil, um evento fatídico, certamente por mais curto que seja, parece passar muito lentamente, como se não tivesse fim.


Assim que o que nos é agradável, transcorre tão ligeiro que somente poderíamos querer que durassem mais alguns instantes ou quem sabe se alongassem eternamente. Da mesma maneira, o que nos é desagradável mesmo que dure uns poucos segundos, alguns minutos, parecem ter o peso de dias, pois cada segundo parece alongar-se até o limite do imaginável.

Mas na prática vemos que isto do tempo passar lento ou rápido, está exatamente nos dois extremos da identificação.
A Consciência quando Desperta, quando atuante, ela tem a mesma percepção do tempo, tanto para as coisas boas ou ruins, agradáveis ou desagradáveis.
Já quando nos identificamos com o prazer, ocorre isto que comentamos, estamos completamente identificados com esta situação, e esquecemos de nós mesmos, esquecemos de tudo e aquilo simplesmente nos consome e nos entregamos completamente.
Já quando nos identificamos com a dor, o que ocorre é que nos identificamos com o sofrimento, e exatamente por não querer sofrer, o tempo parece alongar-se indefinidamente, eternamente.

A Consciência, quando Desperta, não irá identificar-se, não irá esquecer de si mesma, frente ao prazer ou a dor, frente a atração ou a repulsa, e cada evento terá sua devida resposta e sempre dentro do mesmo contexto de tempo. O que causa esta variação na percepção da velocidade do tempo, é a identificação com um dos extremos do pêndulo da vida.

Claro há eventos agradáveis para a consciência, há eventos que são benéficos para nós como indivíduos, mas somente falha esta percepção temporal quando perdemos o devido estado de consciência. Assim que, se há esta sensação do tempo transcorrer de maneira diferente, é porque houve uma alteração no nível de consciência individual naqueles momentos.


Por isto que dizemos que há pessoas que vivem identificadas com o trabalho, com a família, com títulos, com dinheiro. Dependendo do tipo de identificação, do quanto fascínio exerça sobre nós, da natureza desta identificação, o grau, será esta falha na percepção do tempo. A Identificação com algo, faz com que percamos a recordação de nós mesmos e caiamos no sono da consciência.

Uma pessoa pode identificar-se positivamente com o dinheiro, ou seja, animar-se a trabalhar, ficar rico, tem ideias, e o tempo pode para ele correr muito rápido, e obviamente isto nada tem de relação com um estado adequado de consciência.
Também podemos supor que esta mesma pessoa possa identificar-se negativamente, não está satisfeito com seu emprego, não tem dinheiro, não consegue, suas contas estão por vencer... em fim, identifica-se com o sofrimento e muda a percepção de tempo.

Espero que entendam e tenham consciência para avaliar que não estamos nos opondo ao trabalho ou ao progresso do indivíduo, o erro é quando existe esta identificação, este fascínio, é onde surge o desequilíbrio, o delito. Principalmente porque o que se manifesta neste momento é algo parcial, é uma força cega que não vê o todo, exatamente por isto está identificada, senão estaria "alerta", "atento", para todas as outras circunstâncias da vida, que inclusive na prática sabemos tem muito mais transcendência que a parte financeira, do exemplo.

10/03/15