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CLXV
Textos sobre Psicologia
Digestão Psicológica

Todos nós certamente entendemos ainda que parcialmente, o funcionamento de nosso sistema digestivo, respiratório, etc.
Sabemos que assim como assimilamos o Ar e os Alimentos, assimilamos também as impressões do meio externo, e estas são obtidas por meio dos nossos sentidos.

Assim o Ar é processado e captamos dele o que necessitamos, assim o Alimento é ingerido e dele extraímos os nutrientes que o organismo necessita, e eliminamos o que não nos é necessário ou não nos é útil.
Psicologicamente o processo deveria ser idêntico, recebemos as diferentes percepções do meio externo, selecionamos aquilo destas experiências que nos corresponde e eliminamos de nós o restante. A Questão é que não somos bons nesta parte da Digestão Psicológica.
Recebemos do meio externo infinitos estímulos, isto é o que caracteriza em última síntese "estar vivo", afinal, mais que os Alimentos, mais que o Ar, as impressões, estas diferentes percepções que temos, sejam estas visuais, olfativas, auditivas, etc. são o mais profundo e sensível alimento da vida.

Estas distintas percepções, estas infinitas experiências que absorvemos durante a vida, são o principio que molda aquilo que chamamos de Alma.
Afinal, de como assimilamos estas percepções, será o tipo de cristalizações que faremos em nosso mundo interior.
Se vemos uma cena de violência, de inveja, de ganância, e NÃO processamos estas informações adequadamente, tirando realmente o sumo do sumo destes eventos e descartando aquilo que não nos cabe assimilar, acabamos criando em nosso universo interior imperfeições, medos, traumas, em fim, uma série de defeitos de tipo psicológico que são o resultado de uma má Digestão Psicológica.

A Verdadeira Psicologia, que devemos aplicar em nossa vida, antes de mais nada é esta correta assimilação das impressões externas, para que possamos assim deixando de criar novos defeitos, novas imperfeições, sermos aptos de eliminar o que já existe em nosso interior.
Muitas pessoas anseiam fazer Dharma, ou seja, pagar pelo Karma devido, mas fazem boas obras e seguem fazendo más obras todos os dias. Ou seja, afunda-se mais, ou no mínimo não sai do lugar.

Na psicologia ocorre algo similar, nós não podemos apenas tirar a água do barco afundando, necessitamos fixar o buraco por onde a água entra para que os esforços não sejam inúteis.
Assim que há um duplo trabalho no quesito da Morte Psicológica que não é apenas eliminar os agregados, os defeitos que temos, mas não criar novos.

Todos os dias recebemos inúmeras impressões do meio externo, normalmente as que mais nos causam dano são aquelas que vem de nossas pessoas mais próximas, exatamente porque é quando baixamos a guarda e nos deixamos levar pelos eventos (quando junto destas pessoas).
O Problema que existe é que temos muita informação, muita percepção má digerida, mal processada em nosso interior. Assimilamos muitos conceitos, aceitamos muitas opiniões falsas como sendo verdade.
Então que necessitamos fazer como quem vai mudar de casa, que é limpar cada cômodo interior e selecionar o que realmente serve, o que é útil e o que não é, e nos desfazer do excesso, do negativo.

A Obra não consiste apenas em adquirir o que nos falta, mas de eliminar o que nos sobra, gerando realmente esta forma perfeita em nosso interior.
Isto claro não são conceitos, não é uma questão de opinião que alguém tenha do que é perfeito e do que não é, e sim é esta integração plena com estes fluxos universais da vida em seu principio mais elevado.


Certamente ao longo do dia, nos é impossível, como pessoas normais, processar imediatamente todas as ocorrências do dia. Assim que temos de ao final do dia revisar as vivências mais fortes do dia, aquilo que principalmente nos causou mais alegria, tristeza, prazer, dor, etc... ou seja, os extremos, e dar a cada percepção má assimilada a devida atenção e processamento psicológico.
Com esta simples atenção aos eventos que nos foram mais fortes, ou seja, mais pesados para digestão, trabalhamos não apenas no sentido de não permitir com que novas cristalizações negativas ocorram, como já impedimos que as antigas cresçam, e por consequência já enfraquecemos o que de negativo existe em nosso interior.

É claro que a cada momento necessitamos estar ali vivendo cada instante, exercendo nossa consciência, mas reforçamos que mesmo assim, não conseguimos assimilar adequadamente estas vivências e se não fazemos um esforço posterior neste sentido, acabamos cristalizando em nós o que deveria ser excretado ou excretamos psicologicamente o que deveria ser assimilado.

Porque uma coisa é o que levamos na Memória e outra coisa é o que integramos como parte de nossa Consciência.

01/06/15