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Textos sobre Psicologia
Arrependimento e Perdão

Hoje em dia mais que nunca os erros e os delitos estão presentes em nosso dia a dia, tão amplamente quanto o ar que respiramos. Afinal o comum hoje em dia é que as pessoas errem e sigam errando sem a menor percepção de consciência do dano que estão causando seja a si mesmos como aos demais.

O Verdadeiro arrependimento por um erro, somente expressa a fração de Alma a qual foi aprisionada no cárcere deste delito, uma vez emancipada.
Por isto que diz-se que o supremo arrependimento conduz-nos ao perdão de nossa falta.
Afinal uma vez que qualquer possibilidade de recorrer no delito seja aniquilada, não havendo mais em nosso interior o delinquente, não há mais culpa que recaia sobre nós, pois tornamo-nos devidamente inocentes, já que eliminamos o mal que foi o causador do dano.

Sermos perdoados de nossas faltas, é certamente o caminho de evitar toda a dor e o sofrimento que são as consequências destas faltas. No entanto o sincero arrependimento, o verdadeiro e supremo arrependimento, somente, como já dissemos, é capaz de realizar a própria fração que estava aprisionada em tal ou qual defeito.

O Arrependimento temos de ver como a absoluta compreensão e erradicação do Mal em nós. É a desistência da permanência na maldade e a lamentação por todo o mal cometido.
Somente com consciência é possível o arrependimento, somente com a devida liberação desta fração específica da Alma, que cometeu o delito em questão, conquistamos tal dádiva de arrepender-nos sinceramente, verdadeiramente.

O Arrependimento não surge diante da Justiça, no sentido de arrepender-se do erro porque não quer receber a justa e merecida compensação. E sim nasce da profunda reflexão e trabalho sobre aquilo que percebemos está errado.
É claro que o arrependimento, assim como quando falamos da consciência, tem diferentes níveis, senão entraríamos em um paradoxo.
Afinal acabamos de afirmar que o verdadeiro arrependimento somente surge com a morte do Ego, e também sabemos e podemos afirmar que para eliminar um defeito, necessita-se de um supremo arrependimento.

Este paradoxo é explicável simplesmente afirmando que quando há a devida compreensão, da consciência presa no agregado, ela por si só, inicia seu processo de arrependimento, o qual vem a culminar após a eliminação do agregado.


Antes do processo da saída do Éden, antes da queda Edênica, a Serpente disse aos habitantes do Paraíso, que se provassem daquela fruta proibida, seriam como os Deuses, cientes do Bem e do Mal.
A Verdade é que a serpente não mentiu, e realmente o que hoje vivemos é o processo exatamente este, de uma vez conhecendo o bem e o mal, ou as forças evolutivas e involutivas da natureza, façamos nossas escolhas e possamos, se assim formos capazes, retornar ao Éden, mas não como antes e sim plenamente conscientes, auto-conscientes.

O Arrependimento como já dissemos é esta capacidade de fazer cessar o erro, também de "lamentar" a ação e a consequência a certo nível.
Digo a certo nível, porque certamente esta consciência tem consciência de seu processo e sabe que aquilo que é, somente é, pelas provações e pelos processos a qual foi submetida. Ou seja, ela tornou-se livre, e fez-se livre conscientemente, exatamente por ter estado presa.
Então que podemos afirmar que é uma percepção dupla que se tem destes eventos, ainda assim não é contraditória ou mesmo conflitante, afinal ela tornou-se consciente e deixou de cometer o erro e tem a devida compreensão de que se não tivesse vivido aqueles processos, não seria o que tornou-se.

Claro que há diferentes tipos de arrependimento e este que aqui tratamos é o da consciência.
Afinal um indivíduo dual pode hora fazer uma coisa e hora fazer outra, arrependendo-se de sua primeira ação.
Ou seja, a nível de pessoa, ela pode em um momento ter um agregado fazendo algo e em outro acabar assumindo a Máquina Humana outro defeito e este claro ser contra aquela primeira ação a qual gera consequências contrárias a seus interesses e isto não deixa de ser um "arrependimento".

O Arrependimento é sempre relativo a mudanças de atitude e no dia a dia as pessoas arrependem-se de muitas coisas.
Por exemplo, se alguém tem alguma compreensão das forças sexuais, e fornica, quando o Eu Fornicário sente-se saciado e deixa livre seu posto, é possível que manifeste-se algum arrependimento e não apenas da consciência mas de diferentes outros agregados que são contra a prática. Assim ocorre o mesmo com a Gula, afinal manifesta-se a Gula e gera acúmulos (que comumente é relativo a alimentos), mas uma vez saciado, larga seu posto e costuma haver o arrependimento, afinal as diferentes partes, ainda que outros agregados, costumam sofrer consequências daquela primeira ação de outro elemento psicológico. Isto ocorre com qualquer defeito e não é o arrependimento que estamos falando neste momento.
Este arrependimento parcial, este arrependimento egóico, este arrependimento circunstancial, como quando comete um delito e é pego em flagrante, certamente é inútil e sem sentido, afinal o mal continua existindo e a consciência que é capaz de emitir este sincero arrependimento continua atuando em virtude de seu aprisionamento. Assim, por consequência não é possível o Perdão verdadeiro e a anulação de nossas faltas.

O Arrependimento somente podemos arrancá-lo das trevas, no instante supremo do delito em potência, ou seja, durante a tentação. Não é possível, o absoluto arrependimento sem que seja antes do evento em si, depois do evento em si... pois a Luz arrancamos das Trevas, e é durante as trevas que é possível arrepender-nos e liberar-nos totalmente.
Por isto que o arrependimento à fornicação somente conseguimos transmutando na prática nossa energia, e é durante a possibilidade da queda, ou seja, durante a tentação que capturamos o mal e o reduzimos a nada, por meio do arrependimento.
Se nós cometemos o delito, se caímos na tentação, inevitavelmente o arrependimento não processa-se como deveria e temos de aguardar novas manifestações desta força negativa para podermos encará-lo e desafiá-lo uma vez mais. Por isto que faz-se tão indispensável viver conscientes a cada momento, assim a cada manifestação da menor das faltas, podemos compreender totalmente a questão e expressar, nosso sincero arrependimento, junto a nossas súplicas a Bendita Mãe Interior que é a que nos auxilia nestes difíceis processos de redenção da Alma.

E se não somos sinceros, se como pessoas não somos realmente transparentes e não nos expressamos verdadeiramente, o arrependimento não se processa como deveria e a morte, assim como o fim das recorrências torna-se impossível.

"Oh Luz das Luzes!, em quem, desde o princípio, eu tive Fé; escuta-me agora, oh Luz!, no meu Arrependimento! Salva-me, oh Luz!, pois entraram em mim maus pensamentos!" - Pistis Sophia

23/06/15