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CLXV
Textos sobre Psicologia
A Verdade Nua

Todos nós de alguma maneira ansiamos por conhecer a verdade... e a verdade cruza por nós todos os dias e a todo momento pois é manifesta a cada instante.
Nós vemos a verdade e não a aceitamos, não a queremos, pois sua aparência para nós é terrível, é muitas vezes simples, velha, por assim dizer.

Então que para podermos assimilar a verdade, para que possamos ensinar a verdade, necessitamos revesti-la de novas formas e de infinitas parábolas e ensinamentos que indiretamente conduzem até a verdade.

Muitos dos ensinamentos dados pelos Mestres, são uma condução para que o indivíduo possa chegar por ele mesmo a sabedoria, sem que lhe seja dito diretamente o conceito do real, senão que indicativos da realidade, da verdade. E digo conceito do real, porque a verdade não pode ser aprisionada em um discurso, e nem mesmo transmitida, mas a informação literal da verdade não conseguem assimilar as pessoas.

Vemos todos estes contos, estas fábulas, as próprias parábolas e entendemos plenamente que são formas de revestir a Verdade Nua de um aspecto mais agradável e mais misterioso e chamativo ao olhar humano.

A Verdade é similar ao que dizemos do relativo à Consciência, já que é pela Consciência que assimilamos a Verdade. Sempre dizemos que a Consciência mesmo Desperta tem diferentes níveis, diferentes progressões que pode se manifestar. A Verdade é similar pois há esta gradual manifestação da verdade.

É como o estudo das matemáticas, temos o básico, depois vamos nos aprofundando. É como o aprendizado das letras e depois das palavras, então das frases e daí podemos fazer os demais estudos como os da Filosofia, da Psicologia, etc.

Mas por comum, a verdade em todos estes diferentes níveis, temos de ocultar a Verdade Nua, não por uma maldade, não por uma falta de sinceridade, mas porque as pessoas não se importariam e não se interessariam.

Quando transmitimos um conhecimento literal, normalmente este fica armazenado na memória do indivíduo. Mas quando damos as pistas e o indivíduo põe a devida atenção e se volta com todos seus sentidos físicos e internos para com o devido assunto, costuma fazer-se Consciente da questão.


Hoje em dia ainda temos o ditado, que não devemos dar o Peixe, sim ensinar a pescar.
Nos assuntos esotéricos isto é bastante similar, pois muitas vezes falando atrapalhamos e calando ajudamos.
Pois ao dar irrestritamente informação, privamos o indivíduo de buscar por ele mesmo aquilo que sim, realmente é a verdade.
Por isto é dito que é tão errado calar quando se deve falar do que falar quando se deve calar.

E em relação a Verdade, à Obra, infelizmente não podemos estar presos a conceitos, a normas, pois a Verdade é algo que sequer podemos falar a respeito, pois ao tentarmos capturar fora do momento seu significado, tornam-se sombras, trevas.
O que já foi luz no passado, hoje tornaram-se profundas trevas e o que já foram trevas, hoje é luz.
Assim que a Verdade temos de buscá-la a cada momento e mesmo tendo chegado a ela, necessitamos continuar a cada momento "revisando" e atentamente escutando, observando suas infinitas variações, para que nos coloquemos em paz com ela.

Já dissemos aqui tantas vezes e vale recordar, que do mundo não levamos nada disto que temos, no sentido de bens, de posições, cargos (sejam sociais, eclesiásticos, políticos, etc). E mesmo aquilo que sabemos, aquilo que gravamos em nossa memória como informação, sabemos que perde-se com o fim da existência.
No entanto, tudo aquilo que fazemos em benefício da Consciência, toda esta Obra Espiritual que realizamos, tudo aquilo que assimilamos como parte consciente de nós mesmos, levamos para onde quer que tenhamos de ir após a morte.

Todos nós, cada um de nós, em sua particularidade, tem capacidades, tem dons muito especiais e muito íntimos, os quais permitem com que cheguemos a esta Verdade, que realizemos a Obra, de uma maneira muito distinta um dos outros.
Seria difícil imaginar, também muito infeliz, que a Obra Espiritual fosse algo mecânico, também algo fixo, no sentido de uma absolutamente igual vivência e iguais decisões que tivéssemos de tomar.

Já dissemos que uma Criatura (Mônada) que se autorrealize, que faça a Obra como um todo, tem de repetir o feito ainda duas vezes para poder tornar-se um habitante do Absoluto (poder penetrar nas regiões da Divindade Imanifestada, muito mais além da matéria e do próprio espírito).
Seria sem sentido algum, que ele tivesse de tomar as mesmas decisões, realizar exatamente os mesmos feitos, até porque o que ele é, o que tornou-se, estaria muito além das vivências e das situações que lhe seriam apresentadas.
Ou seja, seria absurdo, usar uma grande carroça (um caminhão, nos tempos modernos) para carregar um grão de areia.

Assim que tudo se adapta, e tudo se ajusta a nossa readade e a verdade vamos percebendo, vamos encarnando, vamos a desvelando, conforme avançamos realmente no caminho e conforme vamos a evocando, a encarnando.

03/07/15