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CLXV
Textos sobre Psicologia
O Conhecimento de nós mesmos

O Homem sempre buscou no mundo, no fundo dos oceanos, mesmo no espaço, as infinitas verdades existentes na natureza, no entanto falhou em obter o conhecimento do mundo, porque não foi capaz de antes de mais nada conquistar estes conhecimentos em seu universo interior, os quais revelariam por consequência as infinitas verdades do mundo externo.
Em geral quando o homem falha em encontrar algo em si, ele busca fora de si, seja nos demais, seja nas coisas da vida, e é por isto que há hoje tanta miséria, tanta infelicidade no mundo, porque as pessoas buscaram fora o que tinham de haver encontrado em seu interior.
Se não há uma estabilidade fora, se não há eventos benéficos fora, é porque certamente não os criamos em nossa psicologia, em nosso mundo interior e por isto não são atraídos para nossa vida cotidiana estes eventos favoráveis que ansiamos.

Se o homem não conhece a si mesmo, ele não tem condições de conhecer nada acerca do mundo, do universo, mesmo dos Deuses, porque estaria se apoiando em falsas bases.
Se o homem engana-se a si em seu mundo interior (dentro de si), ele engana aos outros no mundo exterior.
Assim a autoconsideração, o orgulho, a inveja, a ira, podem modificar com muita facilidade uma percepção, um impulso, e por a perder a observação e a compreensão de qualquer evento, de qualquer circunstância. Por isto que podemos afirmar que se o homem não é realmente dono do si mesmo, nada ele realmente tem no mundo, porque ao não ter o domínio de si, não tem como projetar isto para fora de si. O Domínio que nos referimos é a influência consciente, não a Tirania ou algo do gênero. Afinal uma pessoa pode ter o tesouro mais precioso do mundo, mas se não tem uma psicologia estável, pode jogar tudo para o alto em um momento de desespero, de dúvida, de descrença.

Se uma pessoa não se conhece, e por consequência não tem controle de sua psicologia (no sentido geral, também suas emoções, instintos, etc), nada do que ele possa vir a fazer no mundo é confiável, pois acaba sendo influenciado por forças negativas que mascaram não apenas as intenções mas os resultados.

Nós devemos realmente aprender a olhar para dentro de nós mesmos, e ver da mesma maneira que nossos sentidos nos permitem ver este mundo em que em nosso dia a dia caminhamos, conhecer por meio de nossos sentidos internos nosso universo interior, realmente reconhecer todas as regiões que dentro de nós mesmos existem e reconhecer também assim a pluralidade da vida que habita em nosso mundo, e a necessidade de trabalhar esta "humanidade" que dentro de nós existe, para que o indivíduo que somos nós, no mundo sejamos o resultado natural desta mudança interna. Somente assim podemos fazer uma mudança concreta, real, alterando conscientemente o que esteja fora das medidas corretas, divinais.

Precisamos mais que nunca nos converter em profundos investigadores de nosso mundo interior, estudando como atuam nossos sentimentos, nossos pensamentos, nossos instintos, e entender na prática o que realmente somos hoje, o que realmente há em nosso interior, como isto tudo se manifesta, como opera.
Sem entender o mecanismo humano, qualquer mudança concreta é absolutamente impossível, porque sem entender o todo, sem reconhecer a função de cada coisa, a atuação real e objetiva de cada fração do indivíduo, como poderíamos consertar? Afinal não sabemos nem como é o funcionamento normal e nem o que pode haver de errado. Que dirá transcender o mero funcionalismo humano...

Um homem sem esta perfeição interna, sempre estará sujeito a terríveis erros ao realizar algo no mundo, pois como já dissemos uma simples e pequena manifestação de medo, de autoconsideração, de orgulho, pode transformar algo bom em algo maquiavélico, negativo, tenebroso.


Quando o homem entende sua própria psicologia, quando libera-se destas amarras mecânicas que existem em seu mundo interior, ele também por consequência acaba liberando-se destas amarras no mundo, e é como realmente desperta para uma nova vida, livre de influências negativas tanto dentro como fora de si.
Afinal uma adulação facilmente nos pôe a mercê do outro, uma palavra negativa nos tira a calma e nos faz agir impulsivamente, negativamente... isto não é o natural no sentido divino, isto não é o correto, isto somente ocorre quando não temos a devida compreensão e o devido trabalho sobre nós mesmos.

20/10/15