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Textos sobre Psicologia
Mudanças Aparentes, Transitórias e Permanentes

A Vida como vida, é cheia de mudanças, de transformações. Transformações estas necessárias e naturais para que se processe a vida como um todo. Tudo está sempre em constante movimento, nada é realmente estático, ou está indo em uma direção ou em outra, ou está crescendo ou diminuindo, ou consumindo ou sendo consumido. E muitas vezes ambos ao mesmo tempo, ainda que de diferentes maneiras.

Nós todos quando chegamos ao estágio "humano", temos um potencial muito diferente dos demais reinos, afinal temos em nossas mãos a oportunidade de uma mudança realmente transcendental, profunda. É claro que isto não é interesse deste principio do mais profundo de cada um em todos (senão que em alguns), no entanto é o momento que isto torna-se possível realizar e é quando recebemos este chamado a transcender a natureza comum e corrente.

É claro que continua sendo "natureza", pois há uma natureza de tipo inferior, uma natureza cotidiana, uma superior e uma transcendental, intocada por assim dizer (ou imanifestada).


Nós temos de ter muito claro em nossas vidas, em nosso entendimento, o tipo de mudanças que realmente tem um propósito serem feitas, e o que não tem, para que não percamos tempo inutilmente em mudanças fúteis e sem sentido.
Os Mestres por diversas vezes referem-se aos homens em geral (humanidade) como sepulcros caiados, ou seja, algo apodrecendo, decompondo-se dentro, e por fora algo artificial, pintado artificialmente de qualquer maneira para ocultar o que processa-se dentro.
Isto é algo que ocorre com todos os indivíduos, principalmente com aquilo que não estamos dispostos a eliminar de erros, ou que não entendemos são erros.

A Pessoa tende a ocultar sua debilidade, e tornar-se astuto e indetectável em suas más ações, e diante da visão alheia parece um bom samaritano e uma pessoa amável, adorável, irrepreensível.
Infelizmente esta ação nos converte em prisioneiros dentro de nós mesmos. Primeiramente porque sustentaríamos uma farsa agindo assim, e tornaria o trabalho sobre nós mesmos impossível porque estamos tão ocupados fingindo algo, aparentando algo, que não temos a devida energia e atenção para o trabalho sincero sobre estas debilidades.

Vejam, é diferente reprimir um defeito grave para logo trabalhá-lo, do que simplesmente ocultar uma debilidade no sentido de protegê-la. O Primeiro faz parte de nosso trabalho, já que não temos como concordar com certos delitos que cometemos e como já estamos trabalhando sobre algo, temos de primeiro finalizar o que começamos para então dedicar nossa total atenção, consciência e vontade para o outro o qual já identificamos.

Muitas pessoas até hoje não fizeram um trabalho concreto, real sobre seus defeitos psicológicos. E isto reflete-se na falta de consciência e na falta de vivência prática do que é a realidade tanto física como espiritual.
É muito fácil conhecer a teoria, ser capaz de didaticamente dizer ao outro "como fazer", mas na prática, a realidade da desintegração de nossos defeitos, da reintegração desta virtude como Consciência atuante, é algo bastante distinto.

Toda nossa Obra está fundamentada em mudanças, mudanças concretas, profundas, não apenas em nossa forma de atuar, mas de ser, e do Ser.
Há três tipos de mudanças que ao longo de nossa Obra verificamos:
- Aparentes, Transitórias e Permanentes.

As mudanças aparentes são mudanças que não são transformações concretas do indivíduo, são apenas vacilações do Eu, ou mesmo repressões que tendem a voltar a manifestação mais fortes e mais graves, se não eliminamos estes elementos os quais tentamos reprimir ou ocultar.
As mudanças transitórias são mudanças temporárias que podem ser provocadas por estados de consciência alterados como um Samadhi, ou mesmo durante a Meditação convencional, ou até mesmo alterações do estado de consciência em nosso dia a dia, ou em práticas esotéricas como o Arcano A.Z.F, etc.
As mudanças permanentes são aquelas realizadas no mais profundo de nós mesmos e de maneira definitiva que causarão mudanças visíveis mas que não serão apenas aparências.

Podemos dizer que as mudanças aparentes são da Personalidade, as Transitórias da Alma e as permanentes da Consciência e do Ser.

As mudanças da Alma dizemos são Transitórias pois em geral dependem da obediência, integração e da fixação com frações superiores. E é como tornam-se permanentes.

Na Iniciação quando alteramos transitoriamente nosso estado de consciência e ativamos o processo Iniciático, ele gera um evento o qual pode tornar uma mudança Permanente, ou seja, um grau Iniciático ao Ser. Mas é claro que para isto estar manifesto, dependemos de um bom trabalho com a eliminação de nossos defeitos.
Pois mesmo que uma mudança permanente tenha sido estabelecida, e que alguma consciência tenha sido liberada no processo iniciático, o Eu pode continuar existindo e o indivíduo seguir dividido entre Luz e Trevas... até que resolva-se por trabalhar sobe este elemento tenebroso o qual já transcendeu mas segue existindo em seu interior.


As mudanças aparentes quando seguidas por uma mudança transitória e então permanente são aceitáveis.
Porque em geral ao identificar um delito, temos o impulso imediato de parar de cometê-lo, apenas não podemos criar uma mecanicidade em ocultar as debilidades descobertas, ou seja, em acobertá-las para que sigam manifestando-se invisivelmente a vista dos demais.
Esta mudanças transitória quando feita conscientemente, é a base para a alteração do estado de consciência e a gestação do processo que torna possível o resgate desta virtude aprisionada, o que em geral altera profundamente aquilo que somos e por consequência em como manifestamo-nos em nossa vida.

A verdade é que o iniciado realmente torna-se um mutante, uma criatura sem forma fixa, já que a cada momento está polindo e mudando sua forma tanto de perceber como se relacionar seja consigo mesmo, seja com os demais e com a vida em geral.
Mas reforçamos que de nada servem fazermos mudanças inúteis, mudanças que não possamos realmente ter encravadas em nossa Alma, em nossa Consciência, ou no mais íntimo de nosso Ser. Afinal é o que carregamos desta existência, aquilo que nos tornamos, como potência daquilo que temos de chegar vir a ser.

06/01/16