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Textos sobre Religião
O Mistério do Narciso e a Décima Terceira Hora

Falar dos Mistérios é falar do desconhecido.
Já dissemos em outra oportunidade que muito do que é descrito nas Histórias dos Deuses, não são informações literais como interpretam a absoluta maioria das pessoas.
Quando diz-se que um Deus teve um filho, certamente isto é fruto de uma Energia, de um Poder, de um esforço que faz uma Divindade por gerar Vida Espiritual.
Há muitas pessoas no mundo, mas não vivem, não são Deuses. Quando uma Divindade se dedica a criar Vida Espiritual em um indivíduo, diz-se que é seu filho, obviamente em um sentido Espiritual.

Isto quer dizer que Zeus, por exemplo, não foi adúltero como imaginam as pobres pessoas, senão que fez imensos esforços, de diferentes maneiras, unindo-se a diferentes forças, para gerar Vida Espiritual.
É Claro que as pessoas olham estas histórias e veem a si mesmas nestes dramas. Jogam suas debilidades e seus defeitos sobre o que é Perfeito.

Há Mistérios e Mistérios; há mistérios tão profundos e tão distantes, que nunca foram realmente explicados.


O Trabalho Espiritual, a Integração com Deus passa por muitos momentos, por muitas etapas. Alguns estão familiarizados com o que seja as Iniciações, sejam elas Menores, Maiores, Venustas, os Trabalhos de Hércules, etc.
Infelizmente o que vamos explicar aqui neste momento, mais poderíamos dizer que equivale ao Narciso olhando e falando com seu próprio reflexo que qualquer outra coisa, ainda assim, deve ser dito, para quem consiga observar e acompanhar este monólogo.

No Esoterismo existem as Doze Horas, que falando em termos comuns corresponde as Doze Horas do Relógio, O Relógio Começa as Doze, e termina as Doze, ou seja, há um ciclo de Doze Horas no relógio. No Esoterismo fala-se da Hora Treze, ou seja, algo mais além do ciclo, algo mais além da forma, algo mais além da realidade.
Isto em termos comuns é muito utilizado para tratar acerca do que é menos material, do que é anímico, do que é Espiritual, mas ainda assim, existe uma Hora derradeira, uma verdadeira Hora Treze que corresponde ao processo final que vive o Mestre Perfeito, a um último trabalho que necessita realizar Hércules como seu processo final.


Vejam que muito dos Mitos perderam sua realidade, perderam sua originalidade de acordo com o tempo e as traduções e interpretações. As Pessoas tendem a dar uma forma conhecida, um formato aceitável para aquilo que não compreendem.
Quando falamos de Narciso, as pessoas interpretam como uma Criatura Egoísta, Orgulhosa, assim é a história hoje conhecida, e o maior e provavelmente único sentido que é dado a esta História. Tanto que Narcisista é dito como título daquele que vive encantado consigo mesmo, alguém egoísta.
Mas a História é assim, o adúltero ouve que Zeus teve muitos filhos com muitas mulheres e lhe atribui o título de Adúltero, de promíscuo. Ao Mistério incompreendido de Narciso, ocorre o mesmo.


Quando falamos da Oitava e Nona Iniciação de Mistérios Menores, há nestes processos uma solidão terrível, solidão esta que culmina com o encontro da contraparte que irá se unir ao Iniciado para dar Início aos Processos das Iniciações Maiores.
Temos de entender que cada ciclo termina de uma forma muito parecida, há muitos ciclos relativos aos próprios Elementos da Natureza, e mesmo ao sentido mais literal da Iniciação.

Na Hora Treze, no processo que equivale a Última Realização do Mestre Perfeito, no Décimo Terceiro trabalho de Hércules, o Iniciado vive exatamente algo muito similar ao que se passa ao final das Iniciações Menores, das Iniciações Maiores, das Iniciações Venustas...
O Que ocorre é que algo morre e algo nasce, algo tem de ser perdido, algo tem de ser encontrado. Algo tem de ser destruído e algo tem de ser Criado.

Enquanto todos os processos Iniciáticos normais nos Conduzem ao mesmo tempo Mais para fora de nós mesmos, e mais profundamente para dentro de nós mesmos... O Mistério de Narciso colide estas duas coisas, ele ao mesmo tempo converge o de fora para dentro (e é isto que veem as pessoas) e o de dentro para fora.
Entendam, a Hora Treze é o Instante Final do Mestre Perfeito, é de certa maneira o último acerto de contas, e o último esforço por equilibrar duas forças que faz o Iniciado, o Mestre Perfeito.

Se observarmos Narciso, ele por si só é considerado perfeito, ele atrai com sua perfeição o Amor e a Devoção de todos quanto encontra em seu caminho. Todos o buscavam para buscar relacionar-se com ele, e por seu constante desprezo foi amaldiçoado a apaixonar-se por seu próprio reflexo, por si mesmo.
Necessitamos compreender que A Perfeição das Perfeições quando chega a tais alturas já não busca, nem se interessa pelas coisas mundanas, mesmo pelas coisas celestes. Podemos dizer que após atravessar e liberar-se do Abismo, necessita o Mestre Perfeito, alcançar a Perfeição das Perfeições e liberar-se mesmo do Céu. É Pois Narciso aquele que é capaz de negar aos encanto mesmo dos Deuses e liberar-se na Hora Treze.

Quando Nêmesis o amaldiçoa, isto é certamente do ponto de vista externo, inferior, algo negativo, pois ele fecha-se em si mesmo e morre. Mas o que ocorre com Narciso, o que ocorre dentro de Narciso, e o que lhe concede Nêmesis é certamente o último prêmio que pode receber, que é a capacidade de integrar duas forças opostas sem aniquilar-se.

No sentido material, sabemos que ao unirmos duas forças opostas, elas se anulam, ou se aniquilam. No entanto este processo de Narciso é exatamente integrar-se com o único que lhe resta, com o único que é igual a ele, com o único que é Digno.

De fora, o que se vê é a solidão, é o completo desprezo de narciso pelas coisas exteriores. Mas o que ocorre é sua última e final jornada, seu único e último desafio.


Algumas antigas religiões ainda reconhecem na Flor do Narciso, uma referência à espiritualidade transcendente, e a visão do reflexo da perfeição na qual narciso compenetrado se esforçava em contemplar e integrar-se.


O Narciso...

18/11/2018