CLXV
Textos sobre Religião
A Obra do Cristo

É Muito difícil falar do Cristo, porque o Cristo é uma força, uma inteligência muito além de nosso entendimento humano.
O Cristo Vive e o Cristo Morre, pelo bem da Humanidade, e de toda vida que existe. O Cristo é vida, é sabedoria, e ele nasce e morre, para que a vida possa prosperar.

A Redenção dos Homens depende do Cristo, pois é ele que compadecido da humanidade, lhes dá as chaves para que saiam do Abismo que vivem.

O Cristo é amor, amor incondicionado, impessoal, infinito e verdadeiro, sem interesses, sem segundas intenções, faz o que faz, porque precisa ser feito, e porque não é capaz de outra ação senão o justo e o necessário.

A Dor de encarnar o Cristo é a dor de tornar-se uno e ao mesmo tempo nada. É Ter uma vida livre da mecanicidade do mundo e ao mesmo tempo presa a cada dor humana e a cada sofrimento humano.

O Cristo sofre cada dor humana, cada mágoa, cada tristeza chega ao Cristo e enquanto haja sofrimento, lá estará o Cristo para levar seu amor, sua luz para este entendimento humano.


O Cristo já não sofre suas dores, não lhe importa que o matem ou o crucifiquem; a sede que sente é a sede que tem a humanidade. A Fome que tem é a fome que abate a humanidade.
O Cristo sente o que sente a humanidade porque é um com ela. Quem maltrate um homem, um animal, uma planta, até uma humilde pedra, está maltratando ao próprio Cristo.
Quem deixe de ajudar um necessitado, está negando ao próprio Cristo.

O Cristo não quer poderes, não quer ser Mestre, não almeja reconhecimento, não busca posições sociais ou eclesiásticas.
O Cristo dá pão a quem tem fome, dá água a quem tem sede, dá conhecimento a quem está preparado para recebê-lo, consola o aflito, enfim... é muito distinto do que a maioria imagina.


Fazer-se consciente, fazer-se verdadeiramente Cristificado, depende de muita dor. Só nos tornamos conscientes verdadeiramente quando passamos por terríveis processos de Morte, Dor e de Sacrifício, assim como viveu Jesus, Buda, ou qualquer um destes Cristificados.

Nas Iniciações Maiores, é quando se torna possível a verdadeira Cristificação. Nenhum homem poderia encarnar ao Cristo sem antes ser totalmente devorado pela Serpente, em todos os níveis.

Cada Vértebra, de cada um de nossos corpos, corresponde a uma virtude, a um atributo relacionado ao Ser e por consequência ao Cristo.
Somente durante esta via-crúcis do fogo, é possível purificar-nos verdadeiramente e encarnar as virtudes, verdadeiramente. Posteriormente se perfecciona pela Luz.

"Dor e reflexão, eis aqui o teu caminho!"


A Conquista da individualidade é necessária para que não sejamos manipulados e guiados por sistemas, culturas e conceitos equivocados, para que não reacionemos frente aos eventos da vida.
Quando uma Pessoa conquista este nível de individualidade consciente, então sente este vazio, que é exatamente este vazio que vem preencher o Cristo.
É Uma dor consciente de sentir a dor do mundo e nada poder fazer para ajudar, efetivamente.

Então desta imensa dor mortal, e deste vazio iluminador, que surge o Cristo, para que por meio deste homem, possa algo fazer, em benefício de si mesmo, de seus irmãos, e pela humanidade. Assim desta individualidade surge a sobre-individualidade.


O Cristo é capaz de ver a maldade nos virtuosos, para os ajudar em sua perfeição, igualmente mais que tudo, vê a virtude nos malvados, para os alimentar e permitir com que mudem o rumo de suas existências totalmente.

Há Mestres que ao encarnar o Cristo deram tudo, absolutamente tudo pela humanidade. Afirmo que nada, absolutamente nada ganharam em troca. Deram mais do que nossas palavras mais precisas, poderiam descrever.
Inclusive regressaram ao Pai sem qualquer mérito e sem qualquer direito, pelo simples fato de amar, verdadeiramente, realmente, plenamente, completamente, toda humanidade.

Se entregaram de corpo, de alma e de espírito, se desfizeram, se anularam, se entregaram e se partiram em benefício de muitos.


A Ferida no flanco deste Rei (Cristo), é uma chaga perpétua que dói uma dor mortal e infinita.
O Cristo não é um Rei que manda, nem que exige, mas um Rei que tudo dá e que tudo faz para o bem de todos.
Ele é o primeiro porque se faz o ultimo, e é o maior porque torna-se o menor dentre todos.
Torna-se primeiro porque permite-se ser o último.

Esta é a força que nasce para redimir ao mundo. Esta força sempre ao nascer, brilha por um instante e logo desaparece em meio a multidão.


Encarnar ao Cristo é uma tarefa que só é possível por meio do Amor e da Paixão.
A Paixão é a força do fogo, posta no homem para impulsionar a vida e a criação.
O Amor é a força da luz, encarnável no homem que saiba direcionar e dominar esta paixão; é o que torna possível, em conjunto, a redenção do homem e por consequência, da humanidade.

O Cristo nasce da Luz e das Trevas, das águas da vida, e das águas do espírito.
É Uma mescla da natureza humana e da natureza divina, da liberdade e da necessidade.

Bendito seja o Cristo e benditos os que o tenham encarnado!
Paz Inverencial!


15/12/12