CLXV
Textos sobre Religião
Recomeços

A Vida nos ensina muito, porque toda vida é cíclica e tem como contra parte a Morte. A Cada morte encontramos uma nova vida e a cada nova vida uma nova morte.

Podemos perceber que o caminho esotérico rumo a esta integração com nossas partes superiores do Ser, nesta conquista por esta Consciência realizada em si mesma, é um eterno recomeço.
Vivemos em uma casa aonde é escuro e sombrio, sem janelas, nem portas, este é o estado que nos encontramos, em completa inconsciência e incompreensão da verdade.
Quando logramos derrubar estas paredes de nossos conceitos e de nossas debilidades (nossos defeitos), que são o que nos impedem de ver a verdade... acabamos por nos deparar com muros e estes muros são limitações de percepções desta verdade.

Nesta alegoria podemos dizer que existem infinitos muros que conforme vamos trabalhando sobre nós mesmos, vamos os pondo ao chão. A Questão é que no principio nos parece que realmente chegamos ao nosso destino, a cada nova etapa realmente sentimos isto.
Em alguma altura destas etapas a pessoa realmente se dá conta de sua miséria e de sua absoluta nulidade espiritual, coisa que realmente permite com que sua consciência atue de forma natural e quase que atemporal, porque já não se limita a estes muros, senão a esta possibilidade infinita desta progressão que já presenciou.

Então é muito natural processos aonde a pessoa se vê muito abalada por este sentir interno que passa a ter em um momento de sua vida. Porque se a pessoa vai realmente Despertando sua Consciência, vai percebendo o papel estúpido que faz em seu dia a dia e com isto acaba tendo que rever seus atos, seus conceitos e tudo isto são estes muros que vamos derrubando no caminho deste Despertar.

A Questão é que cada pessoa tem esta sua própria casa aonde está presa, tem seus próprios muros. Então o que uma pessoa percebe em um momento, não é o mesmo que a outra é capaz de perceber, porque não estão em um mesmo lugar do plano físico nem espiritual.
Dizemos isto, porque nestes recomeços precisamos lidar com uma responsabilidade de respeitar não apenas o livre arbítrio de cada uma destas pessoas, mas esta progressão natural, este quase "instinto" superior que a impulsiona no seu momento certo.

A Verdade é que muitas vezes nestas etapas queremos realmente arrastar o mundo junto a esta cadeia revolucionária de eventos que acontece em nossa consciência e em nossa vida, mas melhor do que palavras, deixemos nossas ações e o exemplo a estas pessoas.
Respeitar cada um, o momento que cada um vive neste processo, é ter consciência disto.


Por isto vemos aquela frase aonde se diz que: "O Cristo brilha por um instante e logo desaparece em meio a multidão".
Porque o Cristo (Íntimo) é uma força centrípeta e acaba nascendo no homem para salvar a ele, e por seu exemplo guiar aos demais.

Ainda que na maioria das vezes um acabe por encontrar esta força, exatamente buscando a salvação dos demais.


Existe uma progressão em nosso trabalho que a mim sempre encantou observar na forma dos números, porque apesar de se dar de diferentes formas, por causa do nível de cada um (Em relação a processos Espirituais-Iniciáticos), utiliza os mesmos princípios matemáticos.

O IAO que dizemos, ou a variação AOI, OIA, AIO, etc.. se refere a esta progressão entre a Individualidade (I ou 1), a Não-Individualidade (O ou 0) e a Sobre-Individualidade (A ou 8).


No caso da maioria, vivemos este processo desta Não-Individualidade social, aonde o mundo dita suas regras mecânicas e nós vivemos conforme esta música (costumes, hábitos, idéias) tenebrosa.
Tenebrosa porque apesar de muito bonita, na maioria das vezes, conduz aos processos involutivos e de decomposição da natureza, a morte... não a morte física porque isto não nos preocupa mas a morte dos princípios espirituais e morais em seu sentido espiritual (atemporal), não social ou temporal como vemos que cada sociedade desenvolve.

Quando a pessoa encontra o caminho ela busca esta individualidade e passa a separar-se desta multidão que segue rumo a este precipício inevitável para a grande maioria. Muitos que buscam a Deus, que dizem amar ao Cristo, seguem por este ciclo destrutivo e involutivo da natureza, e por isto até mesmo neste sentido temos que ser muito conscientes desta nossa individualidade neste processo.
Nesta individualidade sagrada ela, esta pessoa, passa a observar a natureza e pouco a pouco aprende sobre a dualidade e acaba encontrando este caminho secreto que não deixa de ser esta porta que surge entre a evolução e a involução natural. O Caminho da revolução, o único caminho possível que não geram mudanças inúteis.
Se tomarmos evolução e involução em progressão de tempo, veremos que encontramos relação com o passado que foi a evolução até o que nos tornamos hoje, e o futuro como uma possível involução de nossos atos e conceitos.
No entanto no momento, a cada eterno presente, esta porta se faz presente e é a possibilidade que temos de compreender esta verdade eterna que é a salvação de cada indivíduo.

Melhor do que falar e estudar a respeito, cada um deve procurar viver isto, encarnar realmente estas verdades eternas e imutáveis. Nisto está este terceiro número ou letra, que se refere a sobre-individualidade, aonde não atuamos mais apenas como homens (animais intelectuais), mas como criaturas a serviço de um propósito maior do que o interesse pessoal de um indivíduo.


Não se preocupem em encontrar formas para realizar isto, apenas atentem para cada momento da vida, para cada evento que surge, observem com consciência cada criatura e acontecimento do caminho.. aí estão os meios para cada pessoa cumprir com o que espera sua Divindade Interior.
A Natureza não dá saltos e precisamos pouco a pouco ir percebendo este chamado íntimo, esta presença constante de um impulso que dá verdadeiramente um rumo que se nos pomos a sentir, reconhecemos como adequado a nossas vidas.


Muitas pessoas sentem que não estão aonde deveriam, que sua profissão não é a adequada, que não dão tomaram a ação correta em tal ou qual evento, enfim... grande parte das vezes estão com razão, porque é uma voz silenciosa, uma canção oculta que nos impulsiona ao nosso Real Caminho em uma existência. Muitas vezes claro esta força nos impulsiona a algo justo e correto mas por nossas debilidades fazemos esta "grande mudança" mas não seguimos o impulso, senão que aproveitamos o impulso para "mudar", mas mudar para algo que não foi o que fomos impulsionados originalmente, que somos guiados constantemente.

A Verdade é que o sofrimento humano se dá por violar as leis divinas e por consequência não estar de acordo com esta sua divindade interior, que o personifica. A Própria morte se dá porque o homem não foi capaz de encarnar a vida e doar esta vida pelo bem de seus semelhantes.
Uma vida que não seja vivida em prol da vida, é sempre destruída pela morte... porque a vida se alimenta de vida e quem não estanque em si este fluir da vida, que em outras palavras é luz, é o Cristo, torna-se eterno.

28/12/12