CLXV
Textos sobre Religião
A Terceira Palavra

Desde a alvorada dos tempos só foram pronunciadas até então duas palavras:
- Vida! e Morte!

Deus na alvorada disse: "Faça-se a Vida!", passado algum tempo disse o Demônio: "Faça-se a Morte".
Desde então nada mais foi dito, todas as palavras, mesmo humanas, são ecos e reflexos destas duas palavras, Vida e Morte.

O Sansara como roda de reencarnação criou-se em base desta dualidade, surgiu o dia e a noite, os dois extremos das estações como Verão e o Inverno e duas estações de transição entre uma e outra.
Enfim, tudo, absolutamente tudo que temos, ou ruma para a vida ou ruma para a morte, ou fala canções da vida, ou tenebrosos sonetos da morte.
Só quem está morto pode viver e quem está vivo pode morrer, estes são os requisitos complementares e o sentido da imantação e da transformação tanto da parte material como da parte espiritual.

Claro que existe a vida e morte como conhecemos fisicamente, como esta mecânica que rege todos os seres, mas também existe vida e morte espiritual, anímica.
A Dualidade destas duas palavras emitidas por estas duas antíteses primordiais, ecoam em todo o espaço infinito e em tudo encontramos dita dualidade, devido a estas duas palavras.

Pois ninguém, nenhuma pessoa poderia salvar-se efetivamente se não encontrasse a terceira palavra. Percebam, entendam, compreendam que a Obra, a Grande Obra, já foi expressa como "A Busca da palavra perdida".
Pois na palavra perdida encontramos o segredo e o mistério que desata este nó cíclico dos eventos gerados por estas duas palavras.


Todas as histórias, todas as alegorias existentes, todas as músicas, livros, estudos... enfim.. tudo é uma constante luta entre a vida e a morte, um batalhar eterno e incessante da busca da supremacia de uma ou de outra.

Existe a necessidade de compreender a roda e mais que isto, encontrar o eixo de tal roda, pois lá é aonde encontramos a força motriz e única que dá origem a estas duas palavras.


Não podemos deixar de reparar na palavra imorTALIDADE.
Pois a Talidade está mais além da relatividade e da regência aonde chegam estas duas palavras (Vida e Morte).
Na Talidade encontramos a Omniciência.
Não é possível chegar a Talidade sem um coração tranquilo.
A Talidade está mais além do próprio Vazio Iluminador.
A Talidade é a única verdade.


Então que no mundo, não existem triunfos ou fracassos, a não ser em deixar de fazer a vontade do Espírito.
Aquele que siga seu Espírito e em tranqüilidade, em acordo com o Ser, com o Vazio e com a Verdade, agirá de forma reta e justa, ainda que aos olhos de um mundo dual e mecânico, esteja contra um e contra outro.

Sempre lutou e sempre lutará o Iniciado contra as potências do Bem e do Mal, e isto só entendemos plenamente quando encontramos a Verdade.
A Verdade é que nunca foi dita a Terceira Palavra, e nela encontramos a verdade. A Terceira palavra é a palavra que nunca foi dita, a palavra impronunciável, incomunicável.


Necessitamos deixar de ser o que somos, para que a pessoa deixe de Ser o que é, e o Ser possa ser o Ser, em todas as regiões em que se desdobra. Somente nos perdendo em nós mesmos, eliminando nossas debilidades, nossos conceitos, podemos chegar até ELE que é nossa Verdade.


Para o Ser não existem fracassos, existem adaptações e momentos. Para o Espírito não existem portas fechadas ou barreiras intransponíveis, pois ELE está sempre de acordo com a Lei. Nós precisamos aprender a estar de acordo com a Lei e com a vontade do Ser, com isto nada é impossível nem nada nos é negado.
Não é porque algo não se concretiza, como entendemos que deveria ocorrer, que seja um fracasso, pois para o Espírito, muitas vezes o que é esperado é uma ação e não o resultado que gostaríamos que houvessem.
Nisto há que aprender a olhar com os olhos do Espírito, pois Triunfos e Fracassos são conceitos humanos e para o Ser o único fracasso possível é a pessoa humana não obedecer-lhe.

Para que possamos viver mais além da Matéria e do próprio Espírito, necessitamos erradicar de nossa inconsciência o auto-mérito.
Na Talidade, na Grande Realidade, não existem Santos nem Perversos, nem Bem nem Mal, existe a Verdade.


As Obras que realizam uma pessoa, não realiza a pessoa, não são méritos ou Obras de uma pessoa, mas do Ser que as personifica.
Enquanto haja um sentimento de grandiosidade por parte da pessoa humana, há um afastamento da Verdade e do Ser e por consequência uma impossibilidade de encontrar a Verdade e a Grande Realidade.


E Eis que é dita a Terceira Palavra.


"Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso?
Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.
Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.
Também eu escolherei as suas calamidades, farei vir sobre eles os seus temores; porquanto clamei e ninguém respondeu, falei e não escutaram; mas fizeram o que era mau aos meus olhos, e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer.
Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos.
Uma voz de grande rumor virá da cidade, uma voz do templo, a voz do SENHOR, que dá o pago aos seus inimigos.
Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino.
Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos.
Abriria eu a madre, e não geraria? diz o SENHOR; geraria eu, e fecharia a madre? diz o teu Deus.
Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela pranteastes;
Para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações; para que sugueis, e vos deleiteis com a abundância da sua glória.
Porque assim diz o SENHOR: Eis que estenderei sobre ela a paz como um rio, e a glória dos gentios como um ribeiro que transborda; então mamareis, ao colo vos trarão, e sobre os joelhos vos afagarão.
Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados.
E vós vereis e alegrar-se-á o vosso coração, e os vossos ossos reverdecerão como a erva tenra; então a mão do SENHOR será notória aos seus servos, e ele se indignará contra os seus inimigos.
Porque, eis que o SENHOR virá com fogo; e os seus carros como um torvelinho; para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo.
Porque com fogo e com a sua espada entrará o SENHOR em juízo com toda a carne; e os mortos do SENHOR serão multiplicados.
Os que se santificam, e se purificam, nos jardins uns após outros; os que comem carne de porco, e a abominação, e o rato, juntamente serão consumidos, diz o SENHOR.
Porque conheço as suas obras e os seus pensamentos; vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e virão e verão a minha glória.
E porei entre eles um sinal, e os que deles escaparem enviarei às nações, a Társis, Pul, e Lude, flecheiros, a Tubal e Javã, até às ilhas de mais longe, que não ouviram a minha fama, nem viram a minha glória; e anunciarão a minha glória entre os gentios.
E trarão a todos os vossos irmãos, dentre todas as nações, por oferta ao SENHOR, sobre cavalos, e em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, trarão ao meu santo monte, a Jerusalém, diz o SENHOR; como quando os filhos de Israel trazem as suas ofertas em vasos limpos à casa do SENHOR.
E também deles tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas, diz o SENHOR.
Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o SENHOR, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome.
E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR.
E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne.
"
Isaías 66:1-24

04/03/13