CLXV
Textos sobre Religião
Amar a Deus sobre todas as coisas

Na vida sempre temos prioridades, temos nossos impulsos humanos, e naturalmente vemos que nos falta um sentido, uma postura que nos permita viver sabiamente cada um destes momentos que se apresentam.

Nós nos sentimos superiores, nos sentimos inferiores, tudo isto altera equivocadamente a forma como agimos pois passamos a reagir aos eventos externos de acordo com conceitos pré-estabelecidos em vez de ativamente agir dentro daquilo que seja o impulso de nossa Alma Espiritual.

A Alma Humana precisa ser resgatada, e isto depende de que se fusione antes de mais nada a Alma Divina com o Íntimo.

A Alma Humana tem por impulso as coisas humanas, terrenas, e sente-se sempre atraída ao vício e ao pecado.
A Alma Espiritual, a Alma Divina, ela como o próprio nome diz é voltada ao que é belo, ao que é eterno.
Quando a pessoa por meio da Magia Sexual (Transmutação Alquímica), e das Virtudes (Morte Psicológica e Sacrifício pela Humanidade) chega à altura que chamamos Alta Iniciação, à culminação da Primeira Iniciação de Mistérios Maiores, a Alma Divina fusiona-se com o Íntimo e então unem-se para redimir esta Alma Humana.

A Grande Obra é algo sempre doloroso, afinal temos de viver o mesmo drama que viveram os grandes Mestres, exatamente o mesmo drama que nos demonstrou o Mártir do Calvário.

Se há um mandamento que precisamos cumprir hoje, e ter muito bem gravado em nossa consciência e em nosso coração, é Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

É difícil, sim, sabemos que é. Em teoria é algo simples, mas a pessoa não tem um centro permanente de consciência, ela até pode dizer que irá cumprir, mas passa a primeira porta e já esqueceu-se do seu compromisso.
E o mundo é o que é, porque não somos capazes de cumprir com este mandamento.
No primeiro mandamento encontramos a síntese de todos os mandamentos.

Se amamos a Deus sobre todas as coisas, não vamos fornicar, porque ao saber que Deus em potência reside na semente humana, vamos ter isto como o mais precioso, o mais divino que temos, algo certamente superior até mesmo a própria vida biológica como um todo. Este óleo divino, é o que vamos usar para iluminar nosso caminho, e também para iluminar o caminho dos demais, e isto o fazemos se amamos a nosso semelhante.

Se amamos a Deus sobre todas as coisas, não iremos jamais matar, pois ao compreender que a Divindade se desdobra na matéria e tudo quanto vive é um desdobramento deste Deus, como iremos privar da vida, algo que foi Deus quem pôs no mundo? E nem chegamos ao extremo de matar fisicamente alguém, mas de matar seu ânimo, sua compreensão, seus sentimentos.
Então vemos que cumprindo com este primeiro mandamento, já vemos inseridos aí um sexto mandamento, um quinto mandamento e na verdade todos os mandamentos.

Não podemos amar a Deus porque não sabemos o que é Deus, nem aonde está.
Deus encontramos em baixo de cada pedra, dentro de cada árvore, em cada cintilar de uma estrela, Deus é a vivificante geometria que tudo sustenta.
Deus é a natureza, e nós nos importamos com o que criou o homem e não com o que Deus criou.

O Homem que ama a Deus sobre todas as coisas, ele não fornica porque ele sabe que para chegar a Deus precisa desta luz e esta luz há que buscar no fogo, há que acumular este fogo para que se faça a luz, não apenas para nós, mas para todos aqueles que nos acompanham nesta jornada.
Não estamos falando sequer de ser Mestres, mas de sermos sábios o suficiente para dar um conselho que saia das entranhas de nossa Alma Espiritual, porque temos um pouquinho de luz que nos permite ver o caminho.

Isto não é questão de saber intelectualmente estes mandamentos, é questão de realmente sentir e viver na prática o que nos designam.

Ao todo existem trinta e três mandamentos que são o código de ética que é entregue a humanidade de todos os tempos para que se guie e se oriente nesta integração com a Divindade.

Podemos dizer, que deste primeiro mistério, deste primeiro mandamento, brotam, emanam todos os demais mandamentos, pois conforme amamos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos, vão surgindo mediante a vivência prática da vida, a compreensão de que não há porque mentir, roubar, e em fim, tudo aquilo que na prática vamos percebendo e assimilando por uma compreensão da vida.

Paz Inverencial.

16/12/13