CLXV
Textos sobre Religião
A Obra e a Mônada

É incomum, mas não impossível, encontrarmos na vida, boas pessoas, cheias de ânsias espirituais, e de boa vontade para auxiliar a humanidade em geral.
Pessoas que por natureza não sentem-se aptas a encaixarem-se nos padrões normais do mundo, porque desde seu interior tem questionamentos e estímulos íntimos que lhes fazem reflexionar, buscar compreender o que há por detrás de tudo o que percebemos com nossos sentidos.

A Chispa Divina, a Mônada de cada um de nós, é quem dá a cada pessoa o estímulo que cada um tem de viver. Nem todas as mônadas tem o impulso para buscar realizar a Grande Obra, chegar a Maestria Espiritual, muitas até tem este impulso, mas fracassam por não ser suficientemente forte para guiar suas frações humanas.

No mundo há de tudo, e é por esta questão que aqui explicamos que há de respeitar o livre arbítrio de cada pessoa, o momento que vive.
Hoje, nesta exato momento o impulso de uma pessoa pode ser, por conta de sua mônada, incipiente para o caminho, mas em outra existência pode retornar ao mundo e ter este impulso, porque a mônada assim lhe dota disto. É imprescindível no caminho respeitar este impulso que tem cada pessoa, porque se é o que ela realiza, é responsabilidade de sua Mônada primordial isto.

Reforçamos que esta existência que hoje temos, é uma dentre as exatas 324.000 que temos direito no reino humano. Claro que como os estudantes gnósticos já sabem, a cada ciclo no reino humano temos direito a 108 existências, se fracassamos em relação a Grande Obra, em auto-realizar-nos, passamos pelos infernos da natureza, evoluímos posteriormente nos reinos elementais e mais uma vez chegando ao reino humano recebemos mais 108 existências. Então temos 108 existências e 3.000 giros desta Roda da Vida.
Se a Mônada neste conjunto de ciclos não foi capaz de autorrealizar-se por meio de sua fração humana, seja por desinteresse ou por fracassar na tentativa, ela retorna ao principio imanifestado da vida como uma Mônada Fracassada, ou seja, sem Maestria, com isto não tem direito a novas existências e fica desta forma por toda a eternidade.

Deus é Amor e Lei... Ainda que hajam leis, ele dá a cada Ser, a cada Mônada, a liberdade para eleger o seu caminho, tomar suas decisões. Ninguém é obrigado a autorrealizar-se, mas a autorrealização não é algo mecânico, tudo que evolui, involui. Tudo é dual, nasce e morre, cresce e decresce, sobe e baixa... o homem não é exceção, o tempo não conduz ninguém a perfeição... chegado a certo ápice por meio da evolução se passa ao processo involutivo.
O Mestre Samael comparava isto a uma montanha, uma pessoa sobe uma montanha, uma vez no topo a ele só resta a descida... simbolizando a evolução e a involução.

Claro que existe um trabalho, algo íntimo, que é realizado desde dentro de cada pessoa, por esta Mônada Divina, que é o que impulsiona e guia a alguém a estas realizações necessárias para que se chegue a Maestria, a Auto-realização íntima do Ser. Isto transcende as forças evolutivas e involutivas, positivas e negativas. Manejar a força neutra e conciliadora é necessário para que possamos autorrealizar-nos.


No decorrer desta existência pude comprovar na prática esta questão das Mônadas e de seus anseios distintos. Pudemos conhecer Pessoas, cujas Mônadas tem um grande anseio, outras que tem simples curiosidade pelo espiritual, outras que por mais que observem a verdade, que a compreendam, não são tocadas por este trabalho íntimo.
É Muito fácil perceber isto da questão do anseio que tem as Mônadas de cada um, afinal gera-se na pessoa um anseio pelo divino, só comparável a necessidade de respirar e quando acha ensinamentos práticos relativos a isto, é como se todo anseio de uma vida fosse preenchido em um só momento.

Existem diferentes formas que uma Mônada costuma impulsionar sua fração humana. Algumas dão um impulso fraco mas constante para com o espírito, ou seja, andam devagar mas suas frações humanas sempre tem algum impulso, ainda que fraco em relação ao divino.
Outras Mônada já atuam de forma esporádica mas quando atuam costumam por força, assim a pessoa por muitas vezes se vê desmotiva, e em outro momento tem grandes anseios quase que insuportáveis pois se mostram contrários a vida que leva a cada ciclo de tempo.

Há também aquelas que nunca dão impulso a suas frações humanas. Também há aquelas que são as que costumam autorrealizar-se, que são a que permanentemente dão impulsos a suas frações humanas, com grande ênfase a Obra, estas não deixam de impulsionar sua essência jamais.

Ter impulso da Mônada e ser capaz de escutá-lo, percebê-lo, são coisas distintas. Muitas pessoas ao lerem estas palavras que aqui dizemos, vão dizer, bem... sou do tipo tal... e na verdade isto não significa que seja verdade.
Temos em nós, nos dias atuais, aprisionando esta essência divina, nossos defeitos, nossas falhas as quais abundam consciente e inconscientemente. E como é a essência quem recebe estes impulsos, é muito natural que por ela estar aprisionada no ego, acabemos por não perceber corretamente ou nem perceber o que nos impulsiona a Mônada... claro que temos uma pequena fração de Consciência livre, normalmente os ensinados "3%", relativos aos Átomos divinos que não podem ser aprisionados, costuma ser logicamente por aí que recebemos esta guiatura e estes impulsos de nossa Mônada, quando somos capazes de nos integrar com isto.

Claro que se a Essência fracassa, se a pessoa se perde na vida, a culpa é da Mônada... Afinal Deus é superior a qualquer coisa que haja no mundo, e se for absoluta vontade dele, ele tem condições de guiar sabiamente sua fração humana e superar qualquer coisa, realmente qualquer coisa.


Como pessoa nada somos, vemos que realmente todo impulso se dá por conta deste Ser divino, e que a Obra é ELE quem realiza, e ELE quem recebe as dádivas desta Obra... como pessoas somos seus filhos, seu desdobramento.

Recordo uma época que esta força Divina, minha própria mônada particular, me fazia certo questionamento íntimo muito especial: "O Que queres antes de morrer?"
Bem, havia chego a conclusão óbvia naquela época que iria desencarnar, afinal percebia com meus sentidos ocultos, algo que provinha do mais sublime de meu Ser, me perguntando o que mais poderia querer da vida antes de morrer...
Lembro que este questionamento vinha muitas vezes me assombrar ao longo dos dias, e certamente como pessoa, dizíamos algumas coisas que gostaríamos de realizar, de ter, antes da morte... tudo aquilo foi magicamente realizado, sem nada faltar, em um espaço tão curto de tempo que causava assombro. O Deus íntimo perguntava: "O Que queres antes de morrer?"... sempre a mesma questão, e eu dava diferentes respostas de acordo com minha tristeza e ao mesmo tempo alegria de ter de partir...

Claro que vivia um momento difícil tanto na vida como no caminho, e ainda que a morte naquele momento fosse provocar alguma dor, seria uma grande alegria... em fim, após alguns poucos desejos concedidos de um moribundo, disse-me o Ser... "O Que queres antes de morrer?"... bem, lhe disse que francamente me levasse, porque já não queria mais nada da vida... já havia experimentado o bem e o mal, e o mundo como mundo me era terrivelmente aborrecedor e sem sentido.

Quando demos a resposta certa, que estávamos prontos para morrer, então soube que a morte que o Ser se referia era a Morte Mística executada de forma ativa, positiva, definitiva, sem desculpas, sem atrasos, sem regressos... fiquei claro lamentoso de ter de continuar com a vida cotidiana, mas contente de compreender o Enigma que havia proposto o Ser e de em definitivo atender aos seus impulsos íntimos.

Claro que isto são assuntos que já passaram talvez mais de uma década, mesmo assim é uma demonstração das forças que maneja a Mônada para tentar corrigir a vida de cada um. Um exemplo vivo de intervenções diretas da Mônada para renovar a forma de trilhar o caminho.

Paz Inverencial.

11/04/14