CLXV
Textos sobre Religião
Padrinho Esotérico

Há uma função muito antiga no que diz respeito a cerimônias de cunho civil e religioso, que é o Padrinho.
O Padrinho é uma função muito importante, na maioria das vezes subestimada pelas pessoas durante estes atos. Digo subestimada por conta da má escolha, já que representa um protetor, um conselheiro, um guia, alguém que se responsabiliza pelo outro em uma necessidade.

Não temos aqui por objetivo abordar todo o uso do Apadrinhamento, mas nos referir principalmente ao caso Esotérico.
No Batismo, na Iniciação o Padrinho é aquele que apresenta o Neófito, que o representa frente a este caminho que este está prestes a entrar.

Neste caso específico do caminho espiritual, temos um Pai, um Íntimo, no entanto este não se faz presente em nós e junto a nós, por conta de nossa incapacidade e divergência no que diz respeito a sua natureza, já que não seríamos capazes de sequer estar próximos a este sem nos desintegrar, literalmente, sem a devida preparação por meio do caminho espiritual. E isto como já falamos e hoje não vamos adentrar, refere-se ao que forjamos por meio dos Três Fatores de Revolução da Consciência (Nascer, Morrer e Sacrifício).
Temos exatamente por conta disto, quando adentramos ao caminho, um Guru, normalmente este Guru não é uma pessoa no sentido físico, que podemos dialogar no mundo tridimensional, mas um Ser que já trilhou o caminho, e que já autorrealizou-se em alguma época e serve de guia para aqueles que anelem trilhar também a Senda Luminosa. Este Guru, como já dissemos, na maior parte das vezes não temos contato físico, ele nos guia, nos orienta, nos ajuda internamente, desde as dimensões superiores da natureza, serve como um Guia, um elo para com nosso Ser, nosso Pai, é nosso verdadeiro Padrinho, designado pela Loja Branca para nos auxiliar em nossas dificuldades, nos instruir e nos proteger ao longo do caminho.

Aí entra este problema, temos o Pai, o qual não temos acesso, nosso Pai Espiritual, nossa verdadeira origem e aquilo que somos no mais sagrado... Temos um Guru, mas que principalmente nos primeiros passos do caminho, não temos, na maioria das vezes, a sabedoria para conscientemente realizar um Desdobramento Astral ou por outro meio chegar até ele e fazer os devidos questionamentos e resolver os devidos problemas que surgem ao longo do caminho e que por nós mesmos, não somos capazes de transcender sem uma orientação, uma guiatura. Claro que este vela por nós em segredo e nos instrue nas horas de sono, mas falta muitas vezes uma contraparte física para nos alentar e nos auxiliar mais efetivamente.

Então entra isto que comentamos do Apadrinhamento Esotérico, que é um indivíduo que se responsabiliza no sentido físico, a auxiliar a este que anseia pela Luz.
Afinal é quem se responsabiliza por guiar, por orientar, por ajudar, por instruir a este Neófito nos primeiros passos do caminho, e vem a ser a representação física deste Guru Espiritual que temos.
O Apadrinhamento é quase um Discipulado, afinal o caminho é um só, mas há diferentes meios de trilhá-lo, e como o Padrinho é este condutor esotérico do Neófito, a escolha do Padrinho quase podemos dizer que determina o rumo deste que inicia seu processo.

Este é talvez um dos maiores problemas que hoje enfrentamos, afinal muitas coisas são proibidas de dialogar no fórum público dos diferentes grupos existentes, nem o Iniciado poderia questionar diretamente os dirigentes acerca de muitos temas, mas se tivesse um Padrinho dentro das capacidades que incumbem esta função, teria alguém para confidenciar as particularidades daquilo que vem vivendo e ter uma ajuda precisa e uma instrução clara de como proceder para transcender cada etapa daquilo que está vivendo.
A questão é que para isto funcionar, precisariamos ter pessoas realmente trilhando o caminho, pessoas cujo resultado de seus esforços fosse concreto e tivessem o devido Despertar da Consciência e estivessem encarnando os diferentes dons que conferem o caminho.
Assim isto ocorrendo, não haveria problema algum do Afilhado questionar ao seu Padrinho acerca de suas dificuldades na luta para com seus defeitos, ou então primeiras impressões do Plano Astral, ou de suas primeiras visões clarividentes, e este, o Padrinho, lhe dar o devido parecer e instruções relativas ao momento que esteja vivendo.

O Padrinho certamente ao ser Padrinho tem o estímulo da obrigação de sempre estar a frente do seu afilhado no caminho esotérico, exatamente para poder conduzi-lo em segurança ao longo desta longa jornada que em parte é levá-lo até o verdadeiro Guru, que surgirá de forma mais acessível quando este esteja devidamente pronto para os trabalhos mais avançados do caminho.
Assim que vemos quão importante é esta função, e quão importante é fazer valer este principio que é a representação, ainda que em menor escala, daquele que nos conduz até nosso Ser.


23/02/15