CLXV
Textos sobre Religião
Dhyani Bodhisatwa

O Caminho iniciático, a Grande Obra, é algo que inevitavelmente, como já dissemos em outras oportunidades, não é possível ser trilhado em uma única existência, no entanto alguns optam pelo caminho reto, que é o esforço contínuo por esta realização, e outros tomam o caminho espiral que é um caminho de menor sofrimento, mais lento e de menor ganho espiritual.

O Termo Bodhisatwa, ou Bodhisattva, serve para designar a Alma Humana de um Íntimo.
O Mestre Interno, ele surge quando o iniciado chega a Primeira Iniciação de Mistérios Maiores, com a união de Atman e Budhi, o Ser e a Alma Espiritual, sendo esta última a Consciência Divina.
Assim que uma vez um Iniciado tendo formado este Mestre Interno, ele pode, sempre que queira, emanar esta Alma Humana, seu Bodhisatwa, ao mundo, e esta Alma deve preparar-se para encarnar a este principio Divino para que cumpra o motivo desta existência em específico e siga em sua escalada rumo ao Espírito.
Sempre que o Bodhisatwa, a pessoa humana (a Alma guiando os demais corpos), se extravia, cai por assim dizer, e o Ser não consegue reencarnar-se nesta pessoa, ao desencarnar esta Alma acaba retornado sempre em recorrências mais e mais negativas, situações cada vez mais difíceis, exatamente para que se volte para seu Íntimo, siga seus desígnios e prepare-se para a expressão desta força que é o que realmente é, no mais profundo de si.
Existem diferentes Tríades que representam as diferentes frações daquilo que somos. Origens de nossas origens.

Claro que o próprio termo Bodhisatwa, indica aquele que sacrifica-se pelo próximo, pela humanidade, que busca sua redenção, sua autorrealização. É quando dizemos que o Bodhisatwa esteja Desperto, ainda que não necessariamente Iluminado.

Então que o Bodhisatwa é a forma que tem o Ser de vir ao mundo e manifestar-se. Uma vez o Mestre Interno criado, ele necessita cada vez que quer reencarna-se enviar na frente a Alma Humana para que se prepare para seu regresso. O que claro nem sempre é possível, que nem sempre ocorre, já que muitas vezes a Alma se perde em meio as situações da vida e se afasta do caminho que necessitava trilhar.

Mais além do Bodhisatwa existem os Dhyani-Bodhisatwas, estes são os veículos dos Logos, da Coroa Sefirótica que dá origem ao próprio Íntimo.

Quando um indivíduo torna-se um Logos, isto é, autorrealiza-se até a altura de tornar-se um Logos, um Criador, um Deus realmente... para encarnar-se ele precisa que o Íntimo envie sua Alma Humana à Terra, que a Alma Humana prepare-se, encarne o Íntimo, e então o Íntimo sirva de expressão ao Logos, que é a Triade Superior, o próprio Kether, Binah e Chockmah da Kabala. Assim que a Alma Humana é o Bodhisatwa e Íntimo e a Alma Divina (A Consciência, Budhi), é o Dhyani Bodhisatwa de um Logos.
Quando o Dhyani Bodhisatwa está preparado e por consequência isto significa que o Bodhisatwa também, então pode encarnar-se o Logos.


É assim que vem ao mundo a Alma dos Deuses, quando necessitam realizar seus prodígios e entregar seus ensinamentos.
Nasce a Alma Humana de um Logos, logo encarna ao Mestre Interno, e ao seu devido momento, expressa-se por meio do Íntimo o próprio Logos.

Os Logos surgem depois da Nona Iniciação de Mistérios Maiores, após a idade esotérica dos 900 anos. Esta idade que nos referimos não é algo relativo ao tempo cronológico, mas uma idade esotérica, referente a autorrealização. Aos 100 anos de idade forma o Bodhisatwa.

Existem inumeraveis Logos, os quais em nossos Sistema Solar, bem conhecemos Sete, que são amplamente comentados pelo esoterismo, que são a Alma dos Sete Planetas principais. Sendo eles Gabriel, Rafael, Uriel, Michael, Samael, Zachariel e Orifiel (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno).

Um Bodhisatwa, por seu avanço no sentido do Despertar da Consciência, poderia saber que é um Logos, poderia saber quem é seu Íntimo, etc... no entanto enquanto não esteja devidamente preparado, não é realmente o Íntimo e muito menos o Logos, já que para ser o Logos, ou mesmo o Íntimo, necessita ter encarnado estes princípios divinos, o que nem sempre acontece, devido a falta de trabalho interno, ao longo de alguma existência.

Por isto que reafirmamos, que é inevitavelmente irrelevante buscar fora o que temos de encontrar dentro. Na Terra existem inumeráveis, realmente inumeráveis Logos encarnados, não apenas deste Sistema Solar, mas de outros Sistemas Solares, uma infinidade de Bodhisatwas e Dhyani-Bodhisatwas, no entanto inevitavelmente adormecidos, não-ilumados, não integrados sequer com seu Ser, que dirá com seu Logos.

É dito que a Árvore reconhecemos por seus frutos, e inevitavelmente uma árvore jovem, um arbusto, por mais que saibamos que é uma macieira, não podemos esperar que dê maças antes de seu tempo, assim que um Logos encarnado, uma criatura que transcendeu completamente o mundo e tudo que há nele, se vem com uma missão em específico, inevitavelmente dará seus frutos, frutos estes que serão incomparáveis e realmente não replicáveis, por qualquer outra criatura.

A Páscoa que neste momento nos aproximamos, tem exatamente este sentido da morte de uma força para a manifestação da outra. Sofre e morre um homem (Bodhisatwa), para que dos mortos, retorne um homem com Íntimo encarnado. Morre um Bodhisatwa e Íntimo (e sua Consciência Divina), para que renasça como um Bodhisatwa, um Dhyani Bodhisatwa, e o próprio Logos encarnado.

É claro que a Semana Santa que nos cabe viver cada um, é muito diferente, dependendo do estágio que cada um esteja, mas a todos cabe a dor e o sofrimento desta aparente morte, deste sacrifício daquilo que somos, em benefício daquilo que necessitamos vir a ser. Anelamos profundamente a todos, que nestes instantes, possam aproveitar os eflúvios desta força revolucionária do Logos de Marte, para integrarem-se com sua Divindade Interior, em benefício de si mesmo, e de toda a humanidade.

02/04/15