zzzzzzzz

 

CLXV
Textos sobre Religião
Reforma Esotérica

Quando falamos do processo dos Arcanos como síntese de uma Obra, não estamos nos referindo apenas ao indivíduo. Recordemos que assim como nossos átomos tem sua individualidade, eles junto formam suas moléculas, células, órgãos, sistemas, corpos.
Sempre foi comum à humanidade, unir-se com outras pessoas de interesse comum, para trilhar um caminho em conjunto. As próprias Religiões, Filosofias, para que existam, dependem de pessoas que comunguem o mesmo ideal e pratiquem e ensinem estes métodos, estes ensinamentos.
Quando isto ocorre, como já dissemos outras vezes, forma-se um “Corpo” no sentido Esotérico, que é a soma destes indivíduos que praticam esta doutrina.
Assim que estes grupos, assim como o indivíduo, passam pelos mesmos processos, claro que de maneira um pouco distinta já que não é algo do indivíduo mas do Corpo Institucional, uma soma de indivíduos.
E em verdade, vemos que estão regidos pelas mesmas forças e são provados de uma maneira muito similar como é um indivíduo em sua Obra individual.
Estas instituições acabam também por estarem sujeitas a leis muito similares as que são relacionadas a Alma Humana, pois as Instituições Reencarnam-se de tempos em tempos e expressam-se novamente na consciência das humanidades e por conseqüência atuam por meio destas pessoas no campo da vida material (seus ensinamentos).
No entanto se observarmos as Leis que regem o indivíduo, veremos que há recorrências, há o Karma, há a própria Involução e a Morte, se esta não transcende sua natureza ao longo das etapas da vida.
A Verdade é que tudo tem o seu tempo, e este tempo comumente não é algo tão matemático como imaginamos pois são energias, princípios que animam estas formas e quando finda a energia depositada na forma, esta perece.
E é assim, exatamente para que aquilo que divorcie-se de seu principio pereça a seu tempo e não viva eternamente causando danos e destruição.

Algo que todos nós temos de compreender, de realmente avaliar, é a Obra, tanto Individual como a nível de Grupo, que realizamos.
É muito comum por uma incompreensão acerca de algo, que entremos em processos sem saída, em situações sem uma possível solução, já que nos perdemos em meio ao Caminho.
Por isto que temos de seguidamente re-valorizar o caminho, de avaliar nossos esforços e de medir nossos resultados para entender porque falhamos e aonde falhamos.
Um sábio Mestre uma vez disse, que sempre que haja injustiça, haverão reformadores indignados.
E nós realmente precisamos desta indignação para conosco mesmo, para com aquilo que hoje somos, para provocar as devidas mudanças não apenas na parte física mas na psicológica, na Alma de cada um de nós, que inevitavelmente é o que atrai os eventos exteriores.

O Problema que existe com a massa, seja com a humanidade, seja com os grupos esotéricos, é sempre o indivíduo, porque o indivíduo é o que ao somar-se com outros indivíduos formam estes núcleos maiores, como é a família, os grupos esotéricos (filosofias, religiões), ou mesmo a nível de humanidade.
Não há como mudar as massas sem mudar o indivíduo, e o único indivíduo que precisamos mudar, para converter as massas, somos nós mesmos.

Quando observamos a história da humanidade, vemos como alguns poucos homens em sua marcha rumo a Divindade arrastaram multidões neste mesmo caminho, como causando uma imantação universal em toda a humanidade acerca deste propósito que um único Ser tinha ao longo de sua vida.
Por isto que é tão compreensível afirmar que mudando a nós mesmos, auxiliamos a todos que ao nosso redor se encontram, pois mudando o interior alteramos o exterior e por consequência alteramos os agrupamentos aonde nos encontramos.

De qualquer maneira, a nível de ensinamento, como grupo, precisamos reavaliar a forma, a manifestação de nossas ações em relação com o Principio de onde emana esta força que manejamos (a doutrina).
Pois como já dissemos e reforçamos, por diversas vezes chegamos a verdadeiros absurdos os quais são na verdade, por comum, o oposto daquele principio o qual dizemos representar no mundo.

No caminho espiritual vemos que falta a muitas pessoas conhecer o outro lado, no sentido de entender o caminho negro, exatamente para não imaginar estar trilhando algo bom e na verdade estar sim é se afastando e negando a divindade, veementemente.


As virtudes as quais temos de encarnar no referente aos Sefirotes, no caminho negro tem sua representação em Kliphos (no Abismo).
Assim, nesta região a força transforma-se em violência, em tirania; Já o amor em complacência com o delito, em luxúria, em uma falsa compaixão.
O Abismo não é bem o que as pessoas imaginam, e a Unidade Múltipla Imperfeita (O Não Ser), antítese do Ser, é na verdade algo muito sutil aos olhos destreinados.
Hobin Hood, a história conhecida do “bom rapaz” que roubava dos ricos para dar aos pobres, é um exemplo da virtude invertida em Kliphos, o Abismo.
É a utilização de um delito em um “bom propósito”, aonde na aparência os meios justificavam os fins.

O V.M Samael cita em uma de suas obras o caso de uma Prostituta que bem intencionada dá-se a um homem sem cobrar por seus serviços e sente-se virtuosa por este motivo, afinal esta usando seu delito para fazer uma “bondade”, em seu entendimento.


Isto é o que em geral vemos na sociedade, o mal como justificativa para “um bem maior”, e é isto que em um caminho negro busca-se perfeccionar, estas virtudes ao avesso.
É como isto que já comentamos em outra oportunidade aonde a Medicina justifica abusos terríveis contra o Corpo e a Alma, até mesmo para com o Espírito, pela manutenção de nosso perecível veículo físico. Sacrificam o intemporal para salvar a casca no qual temporariamente ele habita.


Se há hoje algo que necessitamos é realizar esta Reforma Moral, esta Reforma Esotérica, no sentido de reavaliar estes princípios que nos regem e compreender em nossa psique e por consequência no mundo, o que cabe e o que não cabe realizarmos, por reconhecermos como virtude ou como uma antítese da mesma.
Cabe a nós, a cada um de nós este trabalho de realizar esta reforma, a qual servirá para corrigir o que esteja errado e para consolidar, reforçar o que esteja correto.

14/09/15