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CLXV
Textos sobre Religião
O Profeta em sua Terra

"Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. 'De onde lhe vêm estas coisas?', perguntavam eles. 'Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs?' E ficavam escandalizados por causa dele. Jesus lhes disse: 'Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra'." - Marcos 6:2-4

Profeta, uma palavra forte, pois é a força que serve de intermédio entre o Divino e o Humano, um representante da Divindade, um interlocutor por meio do qual se expressa a Divindade para os Povos.
Sempre houveram e sempre haverão bons homens e mulheres que por meio de seus esforços por esculpir a si mesmos, tornem-se afins e integrados com suas próprias Divindades e por consequência com a Divindade Universal e sirvam de meio para as realizações do Espírito na Matéria.

Não é difícil reconhecermos alguém de valor, sincero, verdadeiro, expressando algo maior do que pode ser no sentido humano. No entanto para seus familiares, para seus amigos, para as pessoas com quem convive, nunca será capaz de realizar as verdadeiras intervenções divinas que lhe cabe, por conta desta questão que Jesus nos apresentou. Que nenhum profeta tem honra em sua própria terra.

Um dos motivos de ser assim, é que as pessoas tem formas mentais umas das outras, imagens as quais representam as demais dentro de nossa psique, e não acompanham as mudanças pelas quais passa cada indivíduo. Para nós se vimos uma pessoa de uma maneira, em geral é bastante difícil mudar esta imagem mental que na verdade não deveria existir para captarmos a verdade de momento a momento.
Mas como esta existe, para uma Mãe, para um amigo, aquele que pode ter tornado-se um profeta, nada mais é do que aquela pessoa com quem convive, a quem conheceu e com quem teve tais e quais vivências e acredita saber quem é.


E é por esta comum e corrente acomodação psicológica que o Profeta nunca é reconhecido como Profeta e nunca tem sua palavra escutada em sua própria terra, ou seja, pelos seus e com quem convive.
Tanto é assim, que na Obra, os únicos que tem contato direto e constante com o Mestre são seus Apóstolos, pois o reconhecem como ele é, e aceitam suas mudanças e transformações características a Obra que está realizando.


Este ensinamento para nós, para nosso dia a dia, para nossa vida, tem um sentido muito prático que pode ser traduzido como para que sejamos realmente capazes de auxiliar nos momentos ruins, não podemos estar presentes nos momentos bons.
Pode parecer em um primeiro momento uma afirmação difícil de ser assimilada, terrível, sombria, mas uma grande verdade no sentido prático se levamos a fundo a questão.

Sempre que em nossa Obra e até mesmo em aspectos da Vida nós temos dificuldades maiores que nossas capacidades, a Grande Divindade incumbe a alguém a tarefa de auxiliar-nos com nossa Missão, com nosso sofrimento, com nosso processo, e esta pessoa surge como uma força alheia.
Vejam que não foram os seus que ajudaram o Cristo Jesus a carregar sua cruz, não foram os Apóstolos, não foram nenhum de seus seguidores, senão que alguém alheio a tudo isto que foi escolhido e destinado a esta tarefa. Isto nos mostra que mesmo além da própria questão da "forma mental", há algo a mais nisto desta ajuda por parte de forças sempre alheias a nossa vida.


Por comum sabemos que os verdadeiros amigos não estão conosco nos momentos alegres mas nos sombrios, nos realmente terríveis, e costuma ser quando os demais se ausentam, tornam-se incapazes de fazer algo a respeito. As pessoas que compartilham nossa vida em sua forma mais superficial se afastam, se distanciam, desaparecem ou mesmo tornam-se inertes diante da situação.
Ainda assim esta pessoa ou estas força Crística, se manifesta apenas nestes momentos de dificuldade e de agonia, exatamente porque de outra maneira não poderiam cumprir com o que lhe cabe para auxiliar-nos ao longo destas vivências.
Em nossa vida isto não chega a ser algo necessariamente absolutamente Divino, no sentido de um Mestre encarnado para auxiliar-nos, senão alguém que sob o impulso da divindade nos dá o alento, a informação, o estímulo necessário dentro daquilo que supera a nossa capacidade.
Como não temos uma ligação direta com a pessoa, como estamos realmente "abertos para o novo", o que é transmitido não é apenas algo físico senão valores, forças as quais em geral com nossos conhecidos não conseguimos transmitir ou captar por conta de travas e bloqueios internos que geramos por conta destas vivências.

Por isto muitas vezes o aparente afastamento daqueles que realmente amamos...

23/11/15