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H.
Texto Escrito por H.
A casa de Deus

Tinha Zedequias a idade de vinte e um anos, quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. Fez o que era mau perante o Senhor seu Deus, e não se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do Senhor. [...].
Também todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam mais e mais as transgressões, segundo todas as abominações dos gentios; e contaminaram a casa que o Senhor tinha santificado em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais, começando de madrugada, falou-lhes por intermédio dos seus mensageiros, porque se compadecera do seu povo e da sua própria morada. Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as palavras de Deus e mofavam dos seus profetas até que subiu a ira do Senhor contra o seu povo, e não houve remédio algum.

Por isso fez subir contra ele o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário; e não teve piedade nem dos jovens nem das donzelas, nem dos velhos nem dos mais avançados em idade; a todos os deu nas suas mãos.
Todos os utensílios da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do Senhor, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou ele para Babilônia. Queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém; todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos objetos. Os que escaparam da espada a esses levou ele para Babilônia, onde se tornaram seus servos e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia; para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram.
” (BÍBLIA, Crônicas II, 10 ao 21).

Às vezes nos perguntamos que tempos são esses, quando certo e errado passam por um filtro de relatividade tão grande que fica difícil balizar onde um e outro se distinguem, onde se separam. Nesses tempos, somente a consciência livre de preconceitos e das influências das aparências, pode distinguir qual caminho é negro e qual é branco. Assim como Jeoaquim, Joaquim, Zedequias reinaram e espalharam o mal, um após o outro, outros reinos, de outros tipos também são sucedidos por aqueles que espalham o mal e se encontram muito distantes dos demais para serem depostos por seus maus atos. Os mensageiros de Deus os tentam alertar, mas são desprezados, humilhados e injustiçados. Muitas vezes porque sobre os mensageiros de Deus também há preconceitos; do tipo como deveriam ser. E como deveriam ser? Aquele que fale a verdade através da consciência é um mensageiro de Deus, aquele que consegue abrir mãos de seu ego para servir como instrumento da consciência positivamente desperta, é um mensageiro de Deus. Não é preciso ter cargos, honras, bens, senão, quão injusta seria a Divindade.
Quem tem os ouvidos e o coração aberto para escutar a vontade divina através de bocas humanas? Quem consegue parar o tempo, seus preconceitos e pensamentos para ouvir a verdade num mundo de tantos compromissos e pressa?

Apesar das tentativas dos mensageiros de Deus, os reis continuavam a governar com mais e mais transgressões até que não houve remédio algum, e ninguém foi poupado da morte, nem os jovens, nem as donzelas, nem os mais velhos. Pois como fazer alguém tão distante, no alto de uma torre ouvir os que lhe gritam abaixo? Somente um raio divino os pode fazer voltar ao chão, ouvir, voltar à terra... É o que chamamos de ira de Deus, ou justiça Divina. Um raio de misericórdia que extingue aqueles que não estão mais dispostos ou não são mais capazes de ouvir a voz da consciência. Triste e inevitável destino daqueles que tendo o poder para realizar mudanças positivas, para dar vazão à voz Divina, não o fazem.
E nesses ambientes de tipo esotérico onde se espera que as pessoas sejam como animais que somente obedeçam e não reivindiquem pela voz da consciência, nesses ambientes onde se dedicam mais a apagar a voz da consciência e produzir seres que obedeçam sem questionar, que correspondam às expectativas de dirigentes perdidos em seus medos e desejos, nesses ambientes em que se fala de consciência sem exercê-la, que se fala em Deus sem acreditar verdadeiramente Nele, nesses ambientes que abundam dissimulações, interesses pessoais e muito autoengano, o que esperar deles? O que esperar de seus frutos? Nesses lugares, quanto mais se sabe sobre o ego, mais se aprende a escondê-lo de si mesmo, porém não dos demais. Nesses ambientes, os coniventes com os erros alheios, são coniventes com seus próprios erros, defensores de seu próprio ego. O pior dos enganos, enganar a si mesmo. Delitos encobertos com delitos. O pecado disso seria menor se não fossem escolas esotéricas que anunciam estudar as diferentes formas de despertar a consciência, quando na verdade acabam engarrafando-a ainda mais.
Os novos integrantes se afastam cada vez mais da fonte original das instituições, do seu fundador. Ao invés de estudarem as práticas deixadas pelo Mestre fundador, são distraídos com outros assuntos esotéricos e até não esotéricos e assim se tornam massa de manobra, fáceis de iludir. Para que conduzir esse povo à cegueira? Os objetivos mudaram com o tempo, agora a urgência é a busca material, crescer, construir às custas da própria consciência e das dos demais. Silenciadas, sacrificadas... o que sobrará afinal?


Escrito por H.
01/05/17